LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
O Fim Chegou!
Vadô Cabrera
Jacareí/SP
De repente aquele céu tão azul, cinza ficou.
A noite desceu e toda a cidade escureceu.
No horizonte surge o encontro sexual do Sol e da Lua.
Os sábios, os cientistas o chamam de Eclipse.
Quem sabe não seja o prenúncio do Apocalipse?
O Terra caminha a passos velozes para o Fim.
Dia após dia morremos pouco a pouco.
A qualquer momento a Morte levará nossos corpos.
Fugir pra onde? Fazer o quê?
Não há mais lugar para vencidos ou vencedores.
Vejo corpos que se arrastam pelo chão.
Quase os piso, pulo, desvio; vou seguindo.
Sinto a Vida se esvaindo, feito retirante partindo,
Da miséria e da fome fugindo.
Desistindo de viver, sucumbindo sem razão.
Dissemos que vivemos, brincamos de viver.
Fazemos que sofremos, pagamos pra sofrer.
A cada dia ficamos mais loucos.
Sobre um planeta cheio de epidemias, protestamos;
Contratempos, controvérsias, contestamos.
Somos o que comemos, mas comemos e não somos.
Usufruímos uma Saúde contaminada, poluída.
Microssomos, cromossomos, células cancerosas.
Prazeres proibidos, sonhos absortos, perdidos.
Veneno até nas palavras que saem da boca do Profeta
Santos e tarados convivendo sob o mesmo teto.
Dinheiro gerando a miséria,
Operário bancando o Arquiteto...
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