Revista LiteraLivre 14ª edição | Page 117

LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019 meus sonhos eu me perdia naquele grande espaço e sem achar a saída, ai eu acordava. Até que um dia abriram a porta e eu pude ver a passagem, era um corredor que saia na cozinha passava na frente de três dormitórios e um jardim. Mais era tão maravilhoso o sonho que eu continuava a sonhar mesmo quando já adulta vivia desenhando aquela fazenda encantada. Então sempre no meu último dia de aula as crianças felizes faziam planos para as férias o que cada uma ia fazer; uma dizia vou a Disney, outro viajar com o papai eu respondia vou a Fazenda do Capim lá tem rio, vamos pescar, nadar, correr nos campos descalços, e a noite sentamos todos no terreiro a luz do luar. Meus tios e papai pegam seus instrumentos tocam e cantam até lá pra madrugada; a mamãe assa bolo, Sr. Severo conta suas histórias cada uma de arrepiar; a vovó conta piada é assim até a madrugada chegar, já estou cochilando e vou dormir. Cedo já levanto e sempre tem novidades. Certo dia meu tio Crescenço me tirou da cama, vendou meus olhos com um pano e lá fora tirou a venda. Que espetáculo! Uma casinha em uma árvore! Imagine! É o sonho de toda criança. Dormimos muitas noites ali, conseguimos até ouvir a conversa dos bichos. A vaquinha combinava com a outra pular a cerca e ir namorar escondido com o Babú, era o garrote mais bonito do pasto, mal eu cochilava e os pássaros, as galinhas, o pavão já começavam a cantar. A garça de bico empinado se achando a tal; passando pelo urubu ele resmungou: toda metida!!! Mas quando morre um boi perto da fonte ela vem toda boazinha pedir que eu coma logo e diz. Só você meu amigo para nos ajudar! Que seria de mim sem você? Meu tio Cenço era o vaqueiro da fazenda, logo cedo já trazia o leite para o farto café da manhã, haviam as cavalgadas, o ato de amansar os cavalos era uma festa, agente subia nas cercas para ver amarrarem os cavalos até conseguirem montá-las, andava um pouco e gritavam já está amansado! E a festa continuava. Com churrasco. Só o tio Cenço não tocava nenhum instrumento, tia Lia e tia Tonha tocava a sanfona e violão, papai Máximo tocava todos os instrumentos o preferido era a viola, pois só ele sabia tocar, linda cravejada e ele tocava a minha música, pois era a caçula e a paparicada por todos. Assim era a música que ele fez pra mim. Eu tinha uma boneca sim Ela veio de Paris pra mim Ela tinha um rico chapéu Branquinho parece um véu Escorrega no chão não cai Ela mamãe papai 114