Revista LiteraLivre 14ª edição | Page 116

LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019 Na Fazenda do Capim Rosa Pereira Cardoso São Bernardo do Campo/SP Na Fazenda do Capim era assim: fogos pra todos os lados na casa da vovó. Fogueira no terraço, canjica, milho assado e cozido, pamonha, pé de moleque, licor pião cozido, amendoim cozido e torrado, bolo de milho e de fubá. Essas são algumas das iguarias que se degusta na beira da fogueira. Tem as danças: quadrilha, forró, dança de roda e outras. De mãos dadas em volta da fogueira na hora dos versinhos e ai os garotos tinham a oportunidade de declarar suas paixões. Menina da blusa verde Do cabelo cacheado Daria tudo na vida Para ser seu namorado Vou correr por este campo Sempre belo e tão florido Serei bem feliz na vida Quando for o seu marido Corro mundo corro estrada Corro e corro sem parar Descansarei nesta vida Quando eu te desposar Sanfona, pandeiro, triângulo, um prato e uma colher, acompanham as músicas e os gritos de alegria. Como a fazenda era muito grande as festas eram lá. Papai, mamãe, tios, irmãos, primos e primas até os vizinhos. Durante a madrugada muitos jovens iam pra cidadezinha mais próxima e ficavam andando em volta do Coreto e no alto-falante os mocinhos ofereciam músicas para as donas do seu coração assim: Rosinha aceite esta música de alguém que te ama muito. Como já disse a casa era muito grande tinha uma porta que estava sempre fechada. Eu sonhava sempre era uma passagem secreta onde havia um porão contendo um baú com pedras preciosas, joias, roupas de princesa e sempre nos 113