LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019
Foi com convencimento que Teresa falou, logo Beatriz se afastou para não se aguar em
covardia, pois Teresa não sabia, mas essa inexistência repentina não parecia tangível e
decerto não caberia na semana seguinte.
Teresa fechou-se em seu quarto a fim de escrever cartas de despedida, enquanto ainda
podia escrevê-las. Gastou tinta, letra bonita e lembranças, essas só ela as tinha e precisava
compartilhar. No caso de contarem histórias a respeito dela, que fossem as mais genuínas.
Todos os dias dava adeus ao sol nos minutos finais antes de partir, acendia todas as
luzes da casa e deitava-se com os olhos bem abertos até render-se ao sono. O que Teresa
não sabia é que também o ocaso pode ser bem generoso, transformando-se em espetáculo
em si mesmo.
E foi assim, como um anoitecer previsto. Não viu formatura, nem as árvores de Natal
armadas. Mas tomou alguns cafés com quem, de fato, importava. Ao final, cada ser amado
ocupava uma fração de seu regaço.
E ela conseguiu, por fim, fechar os olhos e apagar as luzes.
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