Revista LiteraLivre 13ª edição | Página 177

LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019 Foi com convencimento que Teresa falou, logo Beatriz se afastou para não se aguar em covardia, pois Teresa não sabia, mas essa inexistência repentina não parecia tangível e decerto não caberia na semana seguinte. Teresa fechou-se em seu quarto a fim de escrever cartas de despedida, enquanto ainda podia escrevê-las. Gastou tinta, letra bonita e lembranças, essas só ela as tinha e precisava compartilhar. No caso de contarem histórias a respeito dela, que fossem as mais genuínas. Todos os dias dava adeus ao sol nos minutos finais antes de partir, acendia todas as luzes da casa e deitava-se com os olhos bem abertos até render-se ao sono. O que Teresa não sabia é que também o ocaso pode ser bem generoso, transformando-se em espetáculo em si mesmo. E foi assim, como um anoitecer previsto. Não viu formatura, nem as árvores de Natal armadas. Mas tomou alguns cafés com quem, de fato, importava. Ao final, cada ser amado ocupava uma fração de seu regaço. E ela conseguiu, por fim, fechar os olhos e apagar as luzes. https://papodefran.com/ 173