LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019
O observador
Jonathan D.S.R.
Osasco
Milão, 11 de maio de 1982.
Querida Donatella.
Você já deve saber que eu fiz o meu aniversario de quinze anos há pouco
tempo, foi o melhor dia da minha vida graças a festa que os meus pais fizeram,
mas quando eu fui dormir eu percebi algo de estranho, havia algo me observando
na janela do meu quarto.
Eu falei para todos da coisa que me observava, mas todos falavam que era
coisa da minha imaginação, principalmente pelo fato de que eu não conseguia
ver quem estava me observando e não ouvia nenhum som, era realmente só
uma impressão de ter alguém lá me olhando. Mas isso acontece todas as noites,
eu mal consigo dormir pelo medo daquilo e sempre que eu me levanto da cama
para ver a impressão de haver alguém some e eu não encontro nada. Meu irmão
já ficou olhando e ele não viu nada na janela, apesar de eu ter certeza de que
havia alguém quando ele estava olhando. Eu tentei por uma câmera fotográfica
para tirar foto enquanto eu estava na cama; mesmo sentindo que havia algo
quando saiu o flash não apareceu nada na foto. Eu tentei dormir em outros
lugares, mas sempre eu sinto a sensação vindo da janela mais próxima.
Estou lhe contando isso porque tenho certeza de que você é a única que vai
me dar ouvidos, você sempre me deu, mesmo quando eu não tinha razão. Eu
estou sentindo falta de você desde que você foi para Roma estudar, espero que
você venha me visitar nas férias, e então vamos poder conversar sobre essa
coisa e sobre como eu vou ter matado ela, já que tenho certeza que vou fazer
isso na próxima noite.
Beijos, Alice.
P.S: Eu estou com o revolver do meu pai, se ele não funcionar contra
aquela coisa vai funcionar comigo.
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