Revista LiteraLivre 12ª edição | Page 171

LiteraLivre Vl. 2 - nº 12 – Nov./Dez. de 2018 Tam Luang Márcio Castilho Volta Redonda/RJ Se escancarara a monstruosa bocarra Que capturara, na chuva, a turva água, Que digerira a pedra, o pólen, a pele, Que devastara a graça da criança. E lá, no fundo do teu rotundo estômago, Aprisionada, no nada, ficou a infância, Sob a lama que se esparramara no pântano, Sem tom, sem som, sem reentrâncias. Trouxera esperança às crianças que a terra aprisionara. Tal qual baleia de barriga cheia Que na mandíbula articula rijos dentes pontiagudos Sem demora, devoraras, num átimo, a vida, Desafiastes, ó caverna, em suas cisternas, o mundo. Entre estertores, vapores, ar rarefeito, Vindos dos pulmões de Tham Luang, Clamaram, na ânsia, à vida, o direito Night, Note, Nick e Pong; Sôfrego, teu esôfago estreito Num cáustico bailar peristáltico Dirigira o que ingerira afoito A um moribundo mundo logo abaixo. E Mig, Bew, Dul, Dom, E Mark, Tern, Tee, Titan, Na confiança criança que, num tom, Reclama e espera a etérea luz da manhã. Lá, no colo do subsolo, Mudo, qual buda, Ake meditara; Aos javalis, ali, dera consolo, Às crianças e seu treinador presas na caverna de Tham Luang na Tailândia. 165