Revista Elas nov. 2019 | Page 60

foi muito difícil desde quando ele foi para o segundo turno, porque eu achava que era in- concebível um candidato como ele ser eleito. Eu fiquei desolada, inconformada, brava, ner- vosa”, comenta. Com falas misóginas, Bolsonaro nunca tentou esconder o conservadorismo e precon- ceito nocivos que trazia no pessoal - e que colocaria em pauta nas decisões do governo. Nessa conjuntura, Simone de Boauveir se faz atual, sempre. Feminista, ativista social, inte- lectual, escritora e filósofa, ela cunhou a frase de que “basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigi- lante durante toda sua vida”. Iara alerta, ainda, sobre a ameaça aos direitos sociais apresentada por Bolsonaro. Para ela, “nosso país estava avançando en- quanto democracia e conquistando direitos importantes. Agora a gente tem uma ameaça desses direitos que torna tudo muito difícil, principalmente para mim, que sou professo- ra e terapeuta ocupacional, que trabalho com seres humanos, e seres humanos que não têm seus direitos sociais acessados. Juventude pobre, população LGBTQI+, são popula- ções ameaçadas pelo governo. Para mim, a chegada do Bolsonaro reafirma um local de legitimação da violência. Ele, no seu discurso e na sua prática, legitima toda essa violência contra essas populações”, afirma. Desde 1º de janeiro de 2019, quando Jair Bolsonaro assumiu o Executivo, autocui- dado teve uma guinada nas buscas do Goo- gle. A ferramenta Google Trends mostra que o termo passou a ser buscado numa crescen- te. Somente na segunda e na terceira semana de governo é que o termo teve busca menor 6 0 Manifestação “Mulheres Contra Bolsonaro” Imagem: Esdras Beleza | Flickr em relação a 1º de janeiro. Depois desse perí- odo, autocuidado não esteve mais abaixo do percentual de busca registrado no primeiro dia do governo Bolsonaro. A reforma da previdência, proposta pelo Presidente da República, e que foi pro- mulgada no país no dia 12 de novembro, é um retrocesso na luta por direitos civis e sociais, mas, sobretudo, é nociva para as mulheres. A proposta aumenta de 60 para 62 anos a ida- de mínima para que mulheres se aposentem, sem levar em consideração a jornada dupla realizada por nós. Em 2018 o Brasil ocupou a posição 95 no ranking que averigua a igualdade de gê- nero em 149 países. O relatório é do Fórum Econômico Mundial e desenvolve uma análi-