foi muito difícil desde quando ele foi para o
segundo turno, porque eu achava que era in-
concebível um candidato como ele ser eleito.
Eu fiquei desolada, inconformada, brava, ner-
vosa”, comenta.
Com falas misóginas, Bolsonaro nunca
tentou esconder o conservadorismo e precon-
ceito nocivos que trazia no pessoal - e que
colocaria em pauta nas decisões do governo.
Nessa conjuntura, Simone de Boauveir se faz
atual, sempre. Feminista, ativista social, inte-
lectual, escritora e filósofa, ela cunhou a frase
de que “basta uma crise política, econômica
ou religiosa para que os direitos das mulheres
sejam questionados. Esses direitos não são
permanentes. Você terá que manter-se vigi-
lante durante toda sua vida”.
Iara alerta, ainda, sobre a ameaça aos
direitos sociais apresentada por Bolsonaro.
Para ela, “nosso país estava avançando en-
quanto democracia e conquistando direitos
importantes. Agora a gente tem uma ameaça
desses direitos que torna tudo muito difícil,
principalmente para mim, que sou professo-
ra e terapeuta ocupacional, que trabalho com
seres humanos, e seres humanos que não têm
seus direitos sociais acessados. Juventude
pobre, população LGBTQI+, são popula-
ções ameaçadas pelo governo. Para mim, a
chegada do Bolsonaro reafirma um local de
legitimação da violência. Ele, no seu discurso
e na sua prática, legitima toda essa violência
contra essas populações”, afirma.
Desde 1º de janeiro de 2019, quando
Jair Bolsonaro assumiu o Executivo, autocui-
dado teve uma guinada nas buscas do Goo-
gle. A ferramenta Google Trends mostra que
o termo passou a ser buscado numa crescen-
te. Somente na segunda e na terceira semana
de governo é que o termo teve busca menor
6 0
Manifestação “Mulheres Contra Bolsonaro”
Imagem: Esdras Beleza | Flickr
em relação a 1º de janeiro. Depois desse perí-
odo, autocuidado não esteve mais abaixo do
percentual de busca registrado no primeiro
dia do governo Bolsonaro.
A reforma da previdência, proposta
pelo Presidente da República, e que foi pro-
mulgada no país no dia 12 de novembro, é um
retrocesso na luta por direitos civis e sociais,
mas, sobretudo, é nociva para as mulheres. A
proposta aumenta de 60 para 62 anos a ida-
de mínima para que mulheres se aposentem,
sem levar em consideração a jornada dupla
realizada por nós.
Em 2018 o Brasil ocupou a posição 95
no ranking que averigua a igualdade de gê-
nero em 149 países. O relatório é do Fórum
Econômico Mundial e desenvolve uma análi-