Nise
-se de acordo com aspectos políticos, econô-
micos, educacionais e de saúde. A colocação
demonstra que o país vive a maior desigual-
dade entre gêneros desde 2011, e registra uma
caminhada na contramão do que representaria
um progresso em direção à paridade. Segun-
do o relatório, os motivos desse abismo são,
principalmente, disparidades relativas à parti-
cipação e oportunidades econômicas.
Em tempos cinzas, autocuidado para
nós, mulheres, na linha de frente da socieda-
de ou em nossas próprias vidas, é ato políti-
co e estratégia de sobrevivência. Para fazer
revolução e ainda poder dançar: olhar para
dentro, aprender a se colocar como priorida-
de, tocar o violino em nossas vidas, mesmo
que o barco esteja a afundar. Autocuidado é
resistência e ato de amor próprio.
Na revolução, é preciso poder dançar
A caminhada não é de hoje, várias ou-
tras de nós abriram caminho para a revolução.
Resistir como as pioneiras já resistiram, mas,
olhar e cuidar de si antes de cuidar do outro,
essa é a dança das cadeiras.
“Se eu não puder dançar, não é minha
revolução”. A frase da anarquista e ativista li-
tuana, Emma Goldman, que viveu nos séculos
XIX e XX, traz a essência do bem-viver para
militância. Precisamos fazer revolução sem
nos punir, sem sermos duras conosco em mo-
mentos em que o corpo, a mente e o coração
precisam de descanso. Esse cuidado no front
passa por entendermos que nem sempre con-
seguimos ser coerentes, nem sempre há força.
Nesses momentos, buscar uma rede de apoio,
recuperar o fôlego, se encontrar e voltar para
a dança da revolução.
Iara sabe a importância da luta por di-
reitos, e que nem sempre conseguimos estar
à frente da militância. “Sabe a cena quando o
Titanic está afundando e tem um cara tocando
violino? Em alguns momentos a gente preci-
sa se permitir tocar violino enquanto o barco
está afundando, porque, as vezes, é necessá-
rio a gente não ficar pensando só nisso. Tenho
tentado ter momentos de respiro para ter mais
força quando vou me engajar nas lutas”, rela-
ta a terapeuta ocupacional.
Imagem: Nayara Campos
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