Nise
revelou que as mulheres passam cerca de 10
horas a mais que os homens realizando afa-
zeres domésticos e de cuidado com os outros.
93% das mulheres escutadas afirmaram que
gastam 21,3 horas semanais com essas ativi-
dades, enquanto 84.3% dos homens dispen-
sam 10,9 horas com as mesmas ocupações.
É tanto tempo vivendo assim, que,
para nós é preciso aprender a se colocar como
prioridade. Por isso autocuidado é uma ex-
periência de vida e busca constante por uma
vivência genuína enquanto mulheres. É quan-
do nos possibilitamos colocar a máscara de
oxigênio primeiro em nós, para depois cuidar
dos outros.
Nossos direitos não são permanentes
-quanto 85.1% afirmaram cuidar, sozinhas,
da arrumação do domicílio. Somente em re-
lação à realização de reparos no domicílio,
automóveis e eletrodomésticos é que elas não
assumiram a maior responsabilidade, tendo o
número ficado em 31.4% em comparação aos
66.6% dos homens.
Por muito tempo, uma vida tida como
de sucesso para uma mulher era ter um bom
partido para se casar, ter uma casa bem estru-
turada e cuidar dos filhos enquanto o marido
trabalha. Esse padrão já não nos serve mais,
nunca serviu, foi, antes de qualquer coisa, re-
flexo de uma sociedade centrada no sucesso
do homem às custas da mulher que segurava
as pontas em casa com as crianças.
Fomos para o mercado de trabalho e
aí a coisa cresceu. Jornadas duplas, a casa, o
trabalho, os filhos, parece que nunca era hora
de cuidar de si. A mesma pesquisa do IBGE
Lá em 2016, quando um golpe tira do
poder a primeira mulher a ocupar o Execu-
tivo no Brasil, já se mostravam os sinais dos
tempos que viriam. Com Temer, o país era
preparado para uma política que chegaria
balançando as estruturas, não no bom sen-
tido. Em junho de 2018, assistimos ao fim
da Secretaria Nacional de Políticas Públicas
para Mulheres, a ponta do iceberg.
Com Bolsonaro à frente da presidên-
cia da República, saltava aos olhos do país e
do mundo um governo que faria ressurgir o
fascismo, o discurso de ódio, a misoginia, o
preconceito e o descaso com o meio ambiente
e com a população periférica. O candidato do
PSL foi, desde as eleições, e, antes delas, no-
civo e tóxico para nós, mulheres, um perigo
e retrocesso para os direitos já conquistados.
Iara Falleiros, fala sobre o sentimento
que lhe inundou o peito quando Bolsonaro
ganha as eleições de 2018. “A crise da de-
mocracia vinha acontecendo e a chegada do
Bolsonaro foi uma representação muito forte
do fascismo crescente no Brasil. Para mim,
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