Revista Elas nov. 2019 | Página 57

Nise com cuidado para nossas relações e detec- tar vínculos tóxicos, definir nossos limites, aprender a dizer não (...). São exemplos de ações que nem sempre são fáceis ou ime- diatas, mas que podem nos proteger física e emocionalmente”, relata. Para viver uma caminhada genuína, precisamos nos olhar sem o filtro do outro, sem o peso do mundo que anula nossas parti- cularidades e necessidades. Autocuidado tem tanto mais haver com conhecimento, amor próprio e cuidado consigo, muito além de ro- delas de pepinos nos olhos e de comprar um creme anti-idade milagroso. Para além do individual Para nos oferecermos um cuidado di- ferente do que nos foi posto, historicamente, precisamos buscar referências e tecer redes de apoio, isto porque, autocuidado para mu- A estudante do terceiro ano de jorna- lismo da Unesp de Bauru, Maria Eduarda Souza, foi uma das mulheres fundadoras do Coletivo Feminista AYA, do câmpus. Ela conta que o AYA surgiu no final de 2017 pela necessidade de ter um coletivo no maior câm- pus da Unesp. “As mulheres precisam se unir. O importante no coletivo é não só criar uma rede de acolhimento para as mulheres que já estão ali, mas para as que estão do lado de fora, porque a gente não as alcança, mas deveria alcançar, para elas saberem que têm apoio. Juntas, nós ficamos mais fortes, o co- letivo é importante para mostrar que nós esta- mos juntas. Nós chegamos, e chegamos com os dois pés na porta”, afirma a jovem. O contato com outras de nós requer que sejamos gentis e enxerguemos que, dentro desse movimento em que todas buscam cata- pultar o desenvolvimento para o autocuidado, “ Juntas ficamos mais fortes. Chegamos com os dois pés na porta! -lheres é ato coletivo. Estar em contato com ou- tras mulheres e fortalecer a relação com quem também busca cuidar de si, faz com que cuide- mos umas das outras e potencializa o processo. Frente a uma ginada política à direita em nosso país, Iara fala como se fortalece e segue firme. “Eu não tenho me sentido bem diante do cenário atual. O fortalecimento co- letivo é o que tem me dado força. O autocui- dado é essencial para as mulheres que estão em contato com a militância, é importante que a gente se cuide individualmente, mas também se cuide coletivamente”, destaca. somos diversas. Somos mulheres com histó- rias, oportunidades e condições distintas, daí a importância de desenvolvermos a consciên- cia de classe e não elitizarmos autocuidado. “Quando o autocuidado está à venda, elitizamos a discussão e excluímos da con- versa quem mais precisa usufruí-lo que são mulheres negras, indígenas e de baixa renda, por exemplo, que estão na base da pirâmide da opressão. As propagandas (...) estão tiran- do a camada política e tornando a prática frí- vola com uma razão muito específica — que continuemos doentes”, atesta Gabrielle. 5 7