Nise
com cuidado para nossas relações e detec-
tar vínculos tóxicos, definir nossos limites,
aprender a dizer não (...). São exemplos de
ações que nem sempre são fáceis ou ime-
diatas, mas que podem nos proteger física e
emocionalmente”, relata.
Para viver uma caminhada genuína,
precisamos nos olhar sem o filtro do outro,
sem o peso do mundo que anula nossas parti-
cularidades e necessidades. Autocuidado tem
tanto mais haver com conhecimento, amor
próprio e cuidado consigo, muito além de ro-
delas de pepinos nos olhos e de comprar um
creme anti-idade milagroso.
Para além do individual
Para nos oferecermos um cuidado di-
ferente do que nos foi posto, historicamente,
precisamos buscar referências e tecer redes
de apoio, isto porque, autocuidado para mu-
A estudante do terceiro ano de jorna-
lismo da Unesp de Bauru, Maria Eduarda
Souza, foi uma das mulheres fundadoras do
Coletivo Feminista AYA, do câmpus. Ela
conta que o AYA surgiu no final de 2017 pela
necessidade de ter um coletivo no maior câm-
pus da Unesp. “As mulheres precisam se unir.
O importante no coletivo é não só criar uma
rede de acolhimento para as mulheres que
já estão ali, mas para as que estão do lado
de fora, porque a gente não as alcança, mas
deveria alcançar, para elas saberem que têm
apoio. Juntas, nós ficamos mais fortes, o co-
letivo é importante para mostrar que nós esta-
mos juntas. Nós chegamos, e chegamos com
os dois pés na porta”, afirma a jovem.
O contato com outras de nós requer que
sejamos gentis e enxerguemos que, dentro
desse movimento em que todas buscam cata-
pultar o desenvolvimento para o autocuidado,
“
Juntas ficamos mais fortes. Chegamos com os dois pés na porta!
-lheres é ato coletivo. Estar em contato com ou-
tras mulheres e fortalecer a relação com quem
também busca cuidar de si, faz com que cuide-
mos umas das outras e potencializa o processo.
Frente a uma ginada política à direita
em nosso país, Iara fala como se fortalece e
segue firme. “Eu não tenho me sentido bem
diante do cenário atual. O fortalecimento co-
letivo é o que tem me dado força. O autocui-
dado é essencial para as mulheres que estão
em contato com a militância, é importante
que a gente se cuide individualmente, mas
também se cuide coletivamente”, destaca.
somos diversas. Somos mulheres com histó-
rias, oportunidades e condições distintas, daí
a importância de desenvolvermos a consciên-
cia de classe e não elitizarmos autocuidado.
“Quando o autocuidado está à venda,
elitizamos a discussão e excluímos da con-
versa quem mais precisa usufruí-lo que são
mulheres negras, indígenas e de baixa renda,
por exemplo, que estão na base da pirâmide
da opressão. As propagandas (...) estão tiran-
do a camada política e tornando a prática frí-
vola com uma razão muito específica — que
continuemos doentes”, atesta Gabrielle.
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