Revista Elas nov. 2019 | Seite 30

do Boletim Epidemológico de HIV e Aids no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2006 e 2017, houve um aumento de 81% dos casos de contaminação pelo Vírus da Imono- deficiência Humana (HIV) em pessoas com 65 anos ou mais, tanto em homens quanto em mulheres, sendo o Pará o Estado que lidera esse índice. Médicos e demais profissionais da área da saúde podem e devem instruir seus pacientes a manter certos cuidados na hora do sexo, tendo em vista que a prevenção de doenças na terceira idade é a mesma que em pessoas jovens que iniciaram a vida sexual. Mas o problema de fato é mais complicado nos idosos, já que “a maior incidência de DST nessa fase da vida decorre da vulnera- bilidade do sistema imunológico, condição inerente da velhice. Com isso, existe uma in- tensificação dos sintomas e complicações em curto prazo. Por alguns já possuírem doenças crônicas e consequentemente utilizarem me- dicamentos para essas enfermidades, essas pessoas ficam mais debilitadas para novas infecções”, explica a doutora. “Por alguns já possuírem doenças crônicas e conse- quentemente utilizarem medicamentos para essas enfermidades, essas pes- soas ficam mais debilita- das para novas infecções”. De acordo com a Cartilha do Idoso, desenvolvida pelo Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas (DAPES), da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS), “as pessoas não deixam de ter desejo sexual e prazer devido à sua idade. (...) Algumas mulheres, após parar a menstruação, podem apresentar perda do interesse sexual, secura na vagina e na pele, ardência durante a relação sexual, ficando mais exposta às infecções vaginais. Mas o desejo 3 0 também pode ser estimulado e preservado. Um casal que respeita às limitações de cada um saberá viver intensamente seus desejos e sua sexualidade.” (p. 23). “Um casal que respeita às limitações de cada um saberá viver intensamente seus desejos e sua sexualidade”. Mas, o mesmo documento faz um alerta: “a idade não confere imunidade às pessoas con- tra as doenças, seja qual for a sua origem, e tam- pouco tira a capacidade de relacionar-se sexual- mente com quem desejar. (...) [Porém] a crença de que os idosos estavam livres de contraírem essas doenças hoje cai por terra. Percebe-se que são, na maioria, sexualmente ativos, abertos para os prazeres da vida e que também necessitam de atenção. Prevenir-se contra estas doenças é um ato de responsabilidade, amor e cuidado por si e pelo companheiro ou companheira” (p.24). “Prevenir-se contra estas doenças é um ato de responsabilidade, amor e cuidado por si e pelo companheiro ou companheira” E é por essas e outras razões que ao falarmos sobre sexualidade na terceira idade, é importante encarar esse tema de forma natural, já que as pessoas não perdem suas habilidades sexuais, nem os seus desejos e impulsos emocionais e físicos com o passar do tempo. Mas assim como em todas as outras faixas etárias, as precauções com o risco de contágio de doenças também devem ser tomadas por pessoas acima de 60 ou 65 anos e, exames de rotina e consultas periódicas são indicados.