Carlota
-ve oportunidade de mostrar minha capacida-
de”, comenta.
Para a maioria esmagadora dos brasi-
leiros e brasileiras que gerenciam sua sobre-
vivência, a instabilidade se torna o padrão de
vida da informalidade. Nesse cenário, as mu-
lheres somam 24 milhões de empreendedoras
e, entre elas, estão Sueli Campos, micro em-
preendedora individual, em Ribeirão Preto, e
Beatrys Fernanda, de Bauru, mulheres perifé-
ricas que trucam o sistema e movimentam a
vida na periferia.
Mulher periférica e
empreendedora: Sueli Campos
yar
Filha de Maria Aparecida e de Antônio
Campos, Sueli Campos traz em sua vida a
trajetória de muitas brasileiras. Casou nova,
aos 17, e aos 19 já carregava nos braços o
primeiro filho, fruto do casamento com seu
primeiro namorado, com quem ainda vive
junto, após 28 anos e outras duas filhas, uma
delas, a jornalista que lhes conta essa história.
Aqui, peço licença para chamá-la de minha
mãe, um afeto a ela que luta e se movimenta
no mundo pelos seus e pelos meus sonhos.
Sem oportunidade para os estudos, mi-
nha mãe terminou o ensino médio no mesmo
ano em que eu ingressava no primeiro cole-
gial. Eu, com uma bolsa de estudos, começa-
va em uma ótima escola de Ribeirão Preto,
ela, junto de meu pai, se formava pelo Ensino
de Jovens e Adultos. A frase no dia da for-
matura foi “agora vamos melhorar de vida!”.
Isso foi dito lá em 2014 mas ainda ecoa aqui
em mim. Mesmo sem anos de estudos e com
a origem humilde, minha mãe sabe o peso do
estudo e do conhecimento, por isso me diz
sempre que batalha para que eu possa ter tudo
o que ela não teve.Vamos à luta dela. Vendo
as contas pesarem, uma filha na universidade
pública em outra cidade, a outra nos últimos
anos do ensino médio, e a dificuldade do ma-
rido, meu pai, em suprir as necessidades da
casa e da família, minha mãe decidiu que co-
locaria dinheiro em casa fazendo o que faz
de melhor. “Comecei a assistir uns vídeos no
youtube. Aí viajei no mundo dos doces, me
apaixonei! Como não tinha condições finan-
ceiras para pagar um bom curso, assistia e as-
sisto, ainda, às vídeoaulas. Quando não nas-
cemos com oportunidades, a gente corre atrás
e faz a oportunidade”, fala com entusiasmo.
Cozinheira de mão cheia, ela já havia
feito bolos, doces e tortas salgadas para ven-
der, não em momento de tanta urgência como
agora, mas já o fez. Há uns dois meses se tor-
nou MEI (Micro Empreendedora Individual),
fidelizou uma clientela e agora luta a rotina
de uma mulher periférica que se desdobra
para botar comida na mesa. “Hoje, graças a
Deus, está dando certo! Faço bolos no pote,
trufas, cones trufados. Fiquei muito contente
que esse mês deu até para ajudar com as des-
pesas da minha filha que faz faculdade de
Sueli Campos na formatura do Ensino Médio
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