Revista Elas nov. 2019 | Page 127

Carlota -ve oportunidade de mostrar minha capacida- de”, comenta. Para a maioria esmagadora dos brasi- leiros e brasileiras que gerenciam sua sobre- vivência, a instabilidade se torna o padrão de vida da informalidade. Nesse cenário, as mu- lheres somam 24 milhões de empreendedoras e, entre elas, estão Sueli Campos, micro em- preendedora individual, em Ribeirão Preto, e Beatrys Fernanda, de Bauru, mulheres perifé- ricas que trucam o sistema e movimentam a vida na periferia. Mulher periférica e empreendedora: Sueli Campos yar Filha de Maria Aparecida e de Antônio Campos, Sueli Campos traz em sua vida a trajetória de muitas brasileiras. Casou nova, aos 17, e aos 19 já carregava nos braços o primeiro filho, fruto do casamento com seu primeiro namorado, com quem ainda vive junto, após 28 anos e outras duas filhas, uma delas, a jornalista que lhes conta essa história. Aqui, peço licença para chamá-la de minha mãe, um afeto a ela que luta e se movimenta no mundo pelos seus e pelos meus sonhos. Sem oportunidade para os estudos, mi- nha mãe terminou o ensino médio no mesmo ano em que eu ingressava no primeiro cole- gial. Eu, com uma bolsa de estudos, começa- va em uma ótima escola de Ribeirão Preto, ela, junto de meu pai, se formava pelo Ensino de Jovens e Adultos. A frase no dia da for- matura foi “agora vamos melhorar de vida!”. Isso foi dito lá em 2014 mas ainda ecoa aqui em mim. Mesmo sem anos de estudos e com a origem humilde, minha mãe sabe o peso do estudo e do conhecimento, por isso me diz sempre que batalha para que eu possa ter tudo o que ela não teve.Vamos à luta dela. Vendo as contas pesarem, uma filha na universidade pública em outra cidade, a outra nos últimos anos do ensino médio, e a dificuldade do ma- rido, meu pai, em suprir as necessidades da casa e da família, minha mãe decidiu que co- locaria dinheiro em casa fazendo o que faz de melhor. “Comecei a assistir uns vídeos no youtube. Aí viajei no mundo dos doces, me apaixonei! Como não tinha condições finan- ceiras para pagar um bom curso, assistia e as- sisto, ainda, às vídeoaulas. Quando não nas- cemos com oportunidades, a gente corre atrás e faz a oportunidade”, fala com entusiasmo. Cozinheira de mão cheia, ela já havia feito bolos, doces e tortas salgadas para ven- der, não em momento de tanta urgência como agora, mas já o fez. Há uns dois meses se tor- nou MEI (Micro Empreendedora Individual), fidelizou uma clientela e agora luta a rotina de uma mulher periférica que se desdobra para botar comida na mesa. “Hoje, graças a Deus, está dando certo! Faço bolos no pote, trufas, cones trufados. Fiquei muito contente que esse mês deu até para ajudar com as des- pesas da minha filha que faz faculdade de Sueli Campos na formatura do Ensino Médio 1 27