jornalismo em Bauru, ela é meu orgulho e sei
vai ser uma ótima profissional”, diz.
Os movimentos dela no mundo eu
acompanho de perto. Sei da trajetória da mu-
lher que me deu a vida e me criou, é a história
de várias Marias e tantas outras mulheres no
Brasil. Quando se nasce e cresce sem oportu-
nidades, como minha mãe, a nossa existência
e sobrevivência é diária, com cada vez menos
direitos e suada, mas também revolucionária.
Beatrys: empreendedora de Bauru
Nascida da união entre Elke Aparecida
Mariano e Fabiano Aparecido Frederico, Be-
atrys Fernanda (22) é a cara do empreendedo-
rismo no Brasil. Ela faz parte das estatísticas
que mostram que os jovens são os que mais
empreendem no país, e também confirma o
índice de que aqui, a maioria dos empreende-
dores não possuem ensino médio completo.
Para além dos números, a história de
Beatrys, assim como a de Sueli e tantas ou-
tras mulheres periféricas, revela a luta para
sobreviver a um sistema. “O Saúde Embalada
é a única renda mensal que tenho, é muito im-
portante porque é de onde tiro meu sustento.
É uma coisa que eu gosto e ainda consigo ti-
rar um dinheirinho”, comenta.
O Saúde Embalada é um projeto de
empreendedorismo da Unesp de Bauru que
tem como pilares a alimentação saudável, o
empoderamento feminino e a transformação
social. Beatrys participa do programa junto
com mais uma moradora do Jardim Niceia. A
ação é desenvolvida pela Enactus, projeto de
extensão da Unesp de Bauru. “Os alunos que
conduzem o projeto são muito esforçados e
nos ajudam bastante! Estou desde o início e
vi nossa evolução com os produtos”, afirma
a jovem bauruense.
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Beatrys e integrante do Saúde Embalada
preparando as saladas
Brasis
Pesquisa divulgada em outubro de 2019
pelo IBGE revela que em 2018, no Brasil, o
rendimento do grupo 1% mais ricos cresceu
8,4%, enquanto o dos 5% mais pobres caiu
3,2%. Imersos em uma capenga retomada
econômica e frente ao crescente número de
desempregos, histórias como a de Sueli e Be-
atrys são reflexos de uma sociedade desigual.
A vida na periferia é muito mais do que
se vê nos noticiários. Para além da pobreza
espetacularizada para gerar audiência, a pe-
riferia é criativa e, muitas vezes, solidária.
Olhar com cuidado o empreendedorismo pe-
riférico: não condenar como somente prática
de exploração e precariedade, ou tratar com
romantização e meritocracia. É preciso en-
xergar o pano de fundo social e econômico no
qual as empreendedoras e os empreendedores
de base estão inseridos.
Sueli e Beatrys movimentam suas vi-
das na periferia, trucam o sistema e buscam
uma realidade além das que as foi imposta
desde o nascimento.