Revista Educar FCE EDUCAR FCE 6ED VOL1 - 23-06-207 | Page 368

criadas nessa época para divulgados por Decroly, Froebel para compreender melhor atender filhos de operários e Montessori. A apropriação a natureza de um trabalho também não parecem de Decroly nessas classes educativo vinculado ao brincar. autorizadas a utilizar a demonstra a dura realidade da O grande viés do metodologia froebeliana. expansão dessas instituições movimento de criação de Somente os jardins de que não conta com docentes instituições destinadas infância, de meio período, qualificados e nem mesmo às classes populares com distribuídos em 3 anos de salas e recursos apropriados programas governamentais curso sequencial, concede- para a atividade infantil. de educação compensatória se o direito à proposta do Tais exemplos é a adoção do brincar livre brincar (KISHIMOTO, 1988, demonstram que a teoria sem materiais e espaços 1990). froebeliana, nos primeiros adequados às crianças. O Quando da criação dos tempos da implantação dos brincar livre, embora desejável, Parques Infantis, por Mário jardins de infância – kindergarten torna-se utópico, uma vez de Andrade, observa-se mais –, tem seu uso associado a que a criança não dispõe uma vez a discriminação três critérios: classe social, de alternativas, de objetos da criança pobre. Para o tipo de instituição infantil e culturais ou espaços para poeta, o brincar deveria ser período de funcionamento implementar seus projetos a expressão de brincadeiras do curso. de brincadeira. Pretende-se tradicionais, livres, divulgadas Preocupadas desenvolver a criança a partir pela oralidade infantil, para prioritariamente com a do que se tem na instituição, educar e aperfeiçoar a cultura educação higiênica, emocional, ou seja, quase nada. de qualquer criança, inclusive religiosa e física, as creches A proposta de Vygotsky do operariado paulista dos começam a discutir a educação (1987) de inserir objetos anos 30. das crianças em novas bases. culturais para estimular o No jardim de infância Algumas adotam propostas imaginário infantil não se da Escola Normal Caetano que seguem a rotina diária de expande. Grandes espaços de Campos, de São Paulo, atividades gráficas voltadas internos e externos, como instituição pública que recebe a para tarefas de alfabetização, salões, salas e corredores elite paulista, desenvolvem-se outras adotam o brincar sempre vazios, são utilizados metodologias escolanovistas, espontâneo, sem suporte para as ditas brincadeiras entre os quais, centros de material e outras começam livres, que pela ausência interesses e inúmeros jogos a formar grupos de estudos de objetos ou cantos 368 ABRIL | 2017