protestantes de São Paulo( 1877).
A associação do jardim de infância a uma unidade de educação, de meio período, destinada à elite fica mais clara ainda, quando se cria o Jardim de Infância da Caetano de Campos, de São Paulo, em 1896. Mesmo sendo uma escola pública era frequentada pela elite da época, provocando polêmica e discursos inflamados de deputados como Esteves da Silva e Marrey Junior, que reivindicam sorteio para o preenchimento das vagas. Ao introduzir a metodologia froebeliana no Jardim da Caetano de Campos, Gabriel Prestes promete uma educação mais adequada aos rebentos da elite paulista abandonada nas mãos de governantes incapazes( KISHIMOTO, 1988).
Se os jardins de infância utilizam a pedagogia froebeliana dos dons e ocupações, as creches e escolas maternais, ao funcionarem em tempo integral, parecem impedidas de fazê-la, conforme mostra o Anuário de Ensino de 1935-36:
A palavra kindergarten( jardim da infância) foi adotada por Froebel, no século passado, para designar instituições correspondentes ao tipo francês da escola maternal, abrangendo a educação e a assistência e destinando-se, de preferência, à criança pobre. Os americanos distinguem geralmente a escola maternal do jardim da infância, entregando àquela as crianças de 2 a 3 anos e a este as de 4 a 6 anos. A terminologia do Código de Educação adotou esse exemplo. Contudo, o uso nosso é denominar jardim da infância a instituição que se preocupa exclusivamente com a educação froebeliana, reservando-se o nome de escola maternal à que educa e presta assistência.( KISHIMOTO, 1988, p. 39).
Nesse trecho, há clara distinção entre os jardins de infância, considerados dignos de utilizar uma teoria que educa as crianças, e as escolas maternais, destinadas a prestar assistência, o que pressupunha para a época, ausência de educação. Outra diferenciação era o tempo de permanência da criança na instituição: jardins de infância funcionavam em meio período e as escolas maternais, em tempo integral.
A longa prática dos jardins de infância, tanto particulares como o único oficial, de prestar serviços apenas às classes de maiores recursos parece ter reforçado a ideia de que é a situação econômica que diferencia o jardim de infância de outros estabelecimentos.
Para a rede de creches e escolas maternais que se desenvolve no Estado de São Paulo, nas primeiras décadas do século passado, não se utiliza a teoria froebeliana, mas a orientação da escola maternal francesa, por duas razões: por ser uma metodologia menos dispendiosa e por acreditar que a criança brasileira necessita não de brincadeiras, mas de ensino, escrita e cálculo.
As escolas maternais
ABRIL | 2017
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