Revista Educar FCE EDUCAR FCE 6ED VOL1 - 23-06-207 | Page 307

o dever do Estado de garantir indistintamente, por meio da educação, iguais direitos para o pleno desenvolvimento de todos e de cada um, enquanto pessoa, cidadão ou profissional.( BRASIL, p. 232, 2006)
A reparação de que fala o Parecer implica em fazer justiça em relação à igualdade de direitos, o que passa pela valorização da diversidade cultural. Para que essa determinação se cumpra, é necessário que haja uma mudança de discurso e postura no modo de tratar o negro, sua cultura, sua história e na valorização dos elementos que o relacionam.
Assim, é importante abordar as questões históricas de escravidão e falta de oportunidade social, contudo mais importante ainda é trazer o conhecimento sobre o continente africano antes da escravidão. Se conhecemos os contos infantis da cultura europeia, por que não conhecer a fundo aqueles das culturas africana e indígena? Se conhecemos as mitologias gregas e latinas, por que esse preconceito com as mitologias africana e indígena? Trabalhar as contribuições linguísticas, culturais, sociais é valorizar manifestações que já fazem parte do nosso país, mas que são marginalizados por puro preconceito. A partir do momento em que essas contribuições passem a fazer parte daquilo que é selecionado pela escola, instituição consagrada ao saber formal, espera-se que essas manifestações sejam valorizadas como pertencentes ao país e não apenas a um grupo étnico.
É preciso que haja uma conscientização de que a questão racial não deve se limitar ao Movimento Negro. É dever da escola assegurar o direito à educação a todos. Portanto, a escola deve se posicionar politicamente contra qualquer manifestação de discriminação racial, ainda que sejam formas sutis, como a omissão de conhecimento. A escola deve ser um espaço de reflexão e discussão sobre a justiça e a superação do racismo.
A importância da formação do professor em conteúdo das relações étnico-racial para que possa desenvolver ações didático-pedagógicas para contribuir na formação de estudantes que respeitem as diferenças humanas sem que considerem natural a classificação dos homens em superiores e inferiores por características fenotípicas que se apresentam na aparência de cada um.( BARBOSA, 2011, p. 659)
Um dos maiores equívocos no ensino de História é o de referir-se à África apenas a partir do tráfico de escravos. É como se o continente não existisse anteriormente a esse momento de violência. A partir daí, apresenta-se um novo elemento na História do país, o negro em condição de submissão e punição. Relatos e imagens de sofrimento e submissão ao branco é o que os estudantes conhecem da
ABRIL | 2017
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