Revista Aquaculture Ed 16 16-ed-revista-ab-aquaculture-brasil-issu | Page 70

Defendeu! Em algum lugar do Brasil, um acadêmico de graduação ou pós contribui com novas informações para nossa aquicultura. Nome do acadêmico: Suélen Serafini Orientador: Prof. Dr. Dilmar Baretta Co-orientador: Prof. Dr. Aleksandro Schafer da Silva Instituição: Programa de Pós-Graduação em Zootecnia (PPG- ZOO), Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC Título da dissertação: Antiparasitários à base de eprinomectina e seus efeitos tóxicos sobre peixes de água doce Introdução: Estudos científicos realizados em diversos países demonstram que uma grande varie- dade de moléculas que são princípios ativos em me- dicamentos veterinários (exemplo: antiparasitários), podem causar efeitos negativos nos animais aquáti- cos, como: redução da sua reprodução, prejuízo no desenvolvimento corporal e fisiológico, além de al- terações comportamentais, podendo levar à morte. E como estas moléculas nocivas que compõem an- tiparasitários, por exemplo, podem chegar à água e afetar estes organismos? Estas moléculas podem chegar à água de diversas maneiras, dentre elas: • Uso não recomendado de antiparasitários, pois é comum que produtores aquícolas utilizem medica- mentos de outras espécies em peixes. Não havendo uma recomendação técnica, os efeitos podem ser a poluição dos meios de cultivo e do meio ambiente, consequentemente; • Descarte inadequado de sobras do antiparasitário ou embalagens; • Uso de dejetos animais que contenham resíduos farmacológicos do antiparasitário como fertilizantes or- gânicos no solo. A carreação de substâncias poluentes aos corpos d’água pode ocorrer por percolação ou lixi- viação, favorecidos pelas chuvas; • Uso de dejetos animais que contém resíduos far- macológicos para a fertilização de viveiros aquícolas. • Entrada de animais na água após aplicação de uma formulação antiparasitária pour-on. Um dos grupos de moléculas mais utilizadas na me- dicina humana e animal, na agricultura e na indústria em escala global é o grupo das lactonas macrocíclicas. Este grupo comporta a família das avermectinas, da qual faz parte a molécula ivermectina, muito conheci- da e utilizada por produtores rurais, apesar dos regis- tros negativos desta molécula sobre peixes. A eprino- 70 mectina é outra molécula que faz parte desta família. A eprinomectina apresenta amplo espectro de ação e é recomendada para uso veterinário, principalmen- te para o controle e tratamento de parasitos internos (endoparasitos) e externos (ectoparasitos), estando presente em formulações de medicamentos injetá- veis e pour-on para animais de grande e médio porte. Uma característica muito importante desta molécula é a sua maior solubilidade em água quando compa- rada à ivermectina, ou seja, ela se mistura facilmente com água. Sua maior solubilidade em água pode fa- cilitar a entrada da mesma em ambientes aquáticos. Figura 1. Estrutura química da eprinomectina. Objetivo: Os efeitos tóxicos da eprinomectina em organismos aquáticos não são muito conhecidos, por isso o objetivo do estudo foi avaliar os efeitos da epri- nomectina no fígado e cérebro de jundiás (Rhamdia quelen), assim como alterações no comportamento natural destes peixes, após 24 e 48 horas de exposição à eprinomectina, assim como após 48 horas de recu- peração em água livre de eprinomectina. Materiais e métodos: Para isso, foram utilizadas concentrações abaixo da dose recomendada para bo- vinos, isto é, abaixo de 0,36 mg de eprinomectina por kg de peso vivo, indicada em formulações injetáveis; ou 0,5 mg de eprinomectina por kg de peso vivo, indicada em formulações pour-on.