Revista Aquaculture Ed 16 16-ed-revista-ab-aquaculture-brasil-issu | Page 71
celulares como lipídeos e carboidratos de membra-
na, ácidos nucleicos (DNA e RNA), entre outros. Ao
afetar ácidos nucleicos pode ser reduzida a expressão
proteica da célula, a produção e ativação de antioxi-
dantes e outras enzimas, como a SOD, a AK e a PK no
fígado e a AChE no cérebro. O mesmo ocorre com
uma alteração na membrana da célula por LPO, o que
desorganiza a capacidade da célula de controlar a en-
trada e saída de qualquer substância, como substratos
necessários para nutrição e funcionamento corretos
das células, ou até mesmo a intercomunicação celular,
como ocorre nos neurônios via polarização e despo-
larização de membranas por potencias elétricos, con-
trolados via membrana pela N + /K + -ATPase. Além dis-
so, podemos criar um link entre produção e consumo
de ATP reduzidas em consequência da redução da ati-
vidade da AK e PK com a redução da atividade da N + /
K + -ATPase, pois esta enzima necessita de ATP para o
controle da polarização e despolarização da membrana
e as transmissões de informações no cérebro. Outro
link que podemos criar é a alteração da neurotransmis-
são com a alteração do comportamento dos jundiás.
Considerações finais: Estudos como este geram conhecimentos que favorecerão futuras tomadas de
decisões dentro das propriedades quanto aos produtos utilizados e seus destinos, ou mesmo dos resíduos ani-
mais, que permitirão a associação entre as produções animais
O trabalho foi defendido em:
e a conservação e preservação da biodiversidade aquática.
22/02/2019
Agradecimentos:
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2019
Resultados e Discussão: Os resultados
do estudo demonstraram efeitos tóxicos sobre os
órgãos alvos desse trabalho, além de mudanças
comportamentais causadas pela exposição à epri-
nomectina já em 24 horas. Assim como, a exten-
são residual destes efeitos no período de recupe-
ração de 48 horas em água livre de eprinomectina.
No fígado a eprinomectina causou estresse oxida-
tivo, devido ao aumento dos níveis de espécies
reativas ao oxigênio (EROS) e da lipoperoxidação
(LPO), bem como, devido à redução da atividade
de enzimas do sistema antioxidante, como a supe-
róxido desmutase (SOD) e enzimas do complexo
glutationa (GSH). Além disso, os níveis da ativi-
dade antioxidante contra o radical peroxil foram
reduzidos nos peixes expostos à eprinomectina.
No fígado também foi constatado que a eprino-
mectina afetou enzimas do sistema energético,
como a adenilatoquinase (AK) e a piruvatoquina-
se (PK), responsáveis pela rede de transferência
de grupos fosfato e indispensáveis no processo
de produção e uso de adenosina trifosfato (ATP),
uma importante fonte energética para atividades
celulares. No cérebro foi observado que a eprino-
mectina aumentou os níveis de EROS e reduziu a
atividade de enzimas envolvidas na neurotransmis-
são, como a acetilcolinesterase (AChE) e a bomba
de sódio-potássio (N + /K + -ATPase). Quanto ao
comportamento, os jundiás apresentaram altera-
ções relacionadas à hiperlocomoção e ao maior
tempo de permanência na superfície do tanque.
Como estes resultados podem ser explicados de
uma forma mais fácil? Bom, com base em pesqui-
sas científicas apoiando os resultados, acreditamos
que a eprinomectina inicialmente afeta as mito-
côndrias das células, o que ocasiona o aumento na
produção de EROS, por desorganizar a atividade
respiratória e de transporte de elétrons da orga-
nela. As EROS reagem com outros componentes
Figura 2. Exemplar de jundiá (Rhamdia quelen) utilizado no estudo.
© Suélen Serafini