Revista Aquaculture Ed 16 16-ed-revista-ab-aquaculture-brasil-issu | Page 65
conhecimento do que efetivamente ele está pesqui-
sando. Afinal, ele pesquisa o que dá publicação e não
exatamente para atender às demandas da sociedade.
Ao tornar público o que realmente pesquisam, permi-
tirá que a sociedade conclua que em torno de 70% do
que foi publicado não serviu para absolutamente nada.
As pesquisas deveriam ter como premissa o aten-
dimento de demandas do setor produtivo. A partir
disso, o pesquisador é que teria que se virar nos 30”
para encontrar o que dá publicação. E não o contrá-
rio. Atualmente, pesquisa-se o que dá publicação..... o
setor produtivo é que se vire para encontrar alguma
utilidade naquilo que foi publicado. Há exceções? Sim,
há! Mas... regra geral é procurar um delineamento ou
um assunto que simplesmente dê publicação.
Por muito tempo o setor produtivo aguardava an-
siosamente por soluções tecnológicas vindas da aca-
demia. Porém, os tempos são outros. Atualmente, é
gritante o descompasso entre academia e setor pro-
dutivo. Simplesmente as coisas se inverteram, já que é
notório a quantidade de novas tecnologias que partem
da iniciativa privada. Quer uma constatação prática? A
edição deste ano da AquiShow, em parceria com as
revistas Aquaculture Brasil e Seafood Brasil, lançaram o
prêmio Inovação Aquicola. De todos os cases inscritos
para concorrer, 66% são iniciativas do setor privado.
Será que os pesquisadores estão tão ocupados com
suas pesquisas que não tiverem tempo para inscrever
seu cases ou é a iniciativa privada a grande responsável
pelas novas tecnologias junto ao setor produtivo?
No caso específico da produção de organismos
aquáticos, o setor produtivo tem meia culpa nisso.
Atualmente já temos associações e entidades devi-
damente respaldadas e com autonomia para cobrar
maior objetividade e aplicabilidade dos trabalhos cien-
tíficos.
“-Mas Fábio, vc como pesquisador científico está
jogano contra seus colegas?” Nããããoooo, muito pelo
contrário! Contra fatos não há argumentos! É urgente
a necessidade de se reinventar o modo de fazer pes-
quisa, bem como a postura do pesquisador perante a
sociedade. Afinal, o ser estudado, titulado e, portanto,
flexível a mudanças é o pesquisador. Pelo contrário,
seus cargos não durarão por muito tempo.
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2019
culpas esfarrapadas e proporcionalmente levianas à
capacidade intelectual de quem pensa assim. Não é
obrigação da sociedade entender a complexidade de
uma pesquisa de base e muito menos interpretar e
tirar conclusões do linguajar científico utilizado. Quem
tem obrigação de COMUNICAR-SE com a sociedade
é o pesquisador! Até porque é a sociedade quem ban-
ca este profissional. E não só por isto. O ser estudado
e que se considera “evoluído” perante o resto da so-
ciedade é o tal do pesquisador. Então é obrigação dele
se COMUNICAR com a sociedade.
Quer mais um absurdo? Os salários dos pesqui-
sadores/professores são pagos pela sociedade, as
pesquisas são financiadas com dinheiro público e os
melhores resultados são publicados em revistas fe-
chadas, que cobram cifras consideráveis para permitir
acesso aos artigos publicados (Tem ainda os passeios
em congressos internacionais com todas as despesas
pagas, mas nem vou citar aqui para evitar a indignação
do setor produtivo). Ou seja, a sociedade que bancou
a realização destas pesquisas simplesmente não tem
acesso livre aquilo que financiou. Afinal, pesquisa-se
pra quem?
Isto configura-se numa clássica situação de aprisio-
namento de conhecimento! Conhecimento tem que
ser disponibilizado e não aprisionado. Mas qualquer
cidadão pode ir até uma biblioteca de Universidade e
acessar estes artigos! Sim, mas esta biblioteca utilizou
recursos públicos para ter direito ao acesso destes ar-
tigos. Além do mais, em tempos modernos, o cidadão
comum deveria ter o livre direito de acessar isto em
qualquer internet.
Se por questões científicas este modelo e esta es-
trutura deve ser mantida, OK. Mas o conhecimento
gerado precisa, de alguma forma, ser disponibilizado a
sociedade. Ou seja, deveria ser obrigação do pesquisa-
dor comunicar-se não somente com seu seleto grupo
de colegas por meio de vossos artigos científicos, mas
também com o cidadão comum, através de uma lingua-
gem simples e compreensível ao setor produtivo. Ou,
melhor ainda, transformando os achados científicos
em soluções perante as demandas do setor produtivo.
Afinal, é este quem banca os salários e as pesquisas.
Porém, a questão é que não há interesse por par-
te dos pesquisadores que a sociedade saiba e tenha