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conhecimento do que efetivamente ele está pesqui- sando. Afinal, ele pesquisa o que dá publicação e não exatamente para atender às demandas da sociedade. Ao tornar público o que realmente pesquisam, permi- tirá que a sociedade conclua que em torno de 70% do que foi publicado não serviu para absolutamente nada. As pesquisas deveriam ter como premissa o aten- dimento de demandas do setor produtivo. A partir disso, o pesquisador é que teria que se virar nos 30” para encontrar o que dá publicação. E não o contrá- rio. Atualmente, pesquisa-se o que dá publicação..... o setor produtivo é que se vire para encontrar alguma utilidade naquilo que foi publicado. Há exceções? Sim, há! Mas... regra geral é procurar um delineamento ou um assunto que simplesmente dê publicação. Por muito tempo o setor produtivo aguardava an- siosamente por soluções tecnológicas vindas da aca- demia. Porém, os tempos são outros. Atualmente, é gritante o descompasso entre academia e setor pro- dutivo. Simplesmente as coisas se inverteram, já que é notório a quantidade de novas tecnologias que partem da iniciativa privada. Quer uma constatação prática? A edição deste ano da AquiShow, em parceria com as revistas Aquaculture Brasil e Seafood Brasil, lançaram o prêmio Inovação Aquicola. De todos os cases inscritos para concorrer, 66% são iniciativas do setor privado. Será que os pesquisadores estão tão ocupados com suas pesquisas que não tiverem tempo para inscrever seu cases ou é a iniciativa privada a grande responsável pelas novas tecnologias junto ao setor produtivo? No caso específico da produção de organismos aquáticos, o setor produtivo tem meia culpa nisso. Atualmente já temos associações e entidades devi- damente respaldadas e com autonomia para cobrar maior objetividade e aplicabilidade dos trabalhos cien- tíficos. “-Mas Fábio, vc como pesquisador científico está jogano contra seus colegas?” Nããããoooo, muito pelo contrário! Contra fatos não há argumentos! É urgente a necessidade de se reinventar o modo de fazer pes- quisa, bem como a postura do pesquisador perante a sociedade. Afinal, o ser estudado, titulado e, portanto, flexível a mudanças é o pesquisador. Pelo contrário, seus cargos não durarão por muito tempo. 65 2019 culpas esfarrapadas e proporcionalmente levianas à capacidade intelectual de quem pensa assim. Não é obrigação da sociedade entender a complexidade de uma pesquisa de base e muito menos interpretar e tirar conclusões do linguajar científico utilizado. Quem tem obrigação de COMUNICAR-SE com a sociedade é o pesquisador! Até porque é a sociedade quem ban- ca este profissional. E não só por isto. O ser estudado e que se considera “evoluído” perante o resto da so- ciedade é o tal do pesquisador. Então é obrigação dele se COMUNICAR com a sociedade. Quer mais um absurdo? Os salários dos pesqui- sadores/professores são pagos pela sociedade, as pesquisas são financiadas com dinheiro público e os melhores resultados são publicados em revistas fe- chadas, que cobram cifras consideráveis para permitir acesso aos artigos publicados (Tem ainda os passeios em congressos internacionais com todas as despesas pagas, mas nem vou citar aqui para evitar a indignação do setor produtivo). Ou seja, a sociedade que bancou a realização destas pesquisas simplesmente não tem acesso livre aquilo que financiou. Afinal, pesquisa-se pra quem? Isto configura-se numa clássica situação de aprisio- namento de conhecimento! Conhecimento tem que ser disponibilizado e não aprisionado. Mas qualquer cidadão pode ir até uma biblioteca de Universidade e acessar estes artigos! Sim, mas esta biblioteca utilizou recursos públicos para ter direito ao acesso destes ar- tigos. Além do mais, em tempos modernos, o cidadão comum deveria ter o livre direito de acessar isto em qualquer internet. Se por questões científicas este modelo e esta es- trutura deve ser mantida, OK. Mas o conhecimento gerado precisa, de alguma forma, ser disponibilizado a sociedade. Ou seja, deveria ser obrigação do pesquisa- dor comunicar-se não somente com seu seleto grupo de colegas por meio de vossos artigos científicos, mas também com o cidadão comum, através de uma lingua- gem simples e compreensível ao setor produtivo. Ou, melhor ainda, transformando os achados científicos em soluções perante as demandas do setor produtivo. Afinal, é este quem banca os salários e as pesquisas. Porém, a questão é que não há interesse por par- te dos pesquisadores que a sociedade saiba e tenha