Revista Aquaculture Ed 16 16-ed-revista-ab-aquaculture-brasil-issu | Página 64

Fábio Rosa Sussel Pesquisador Instituto de Pesca de SP - UPD Pirassununga Pirassununga, SP fabio@pesca.sp.gov.br Pesquisa-se o que interessa ao pesquisador, e não ao setor produtivo R egra geral o que se vê são publicações que levaram anos (um baita contrassenso em tempos modernos) de trabalho árduo, redi- gidos num impecável inglês e publicados em re- vistas de alto “impacto”. Exceto algumas revistas científicas de notório impacto, reconhecidas publi- camente, tipo Nature, eu como pesquisador cien- tífico ainda tenho dificuldade para compreender o que realmente significa este tal fator de impacto. Impacto pra quem? Pra qual setor? Qual a con- tribuição efetiva disso para o bem da humanidade? Pesquisa-se, com financiamento público, o que dá pu- blicação e não o que realmente interessa ao setor pro- dutivo. É explicito que a linguagem utilizada nos artigos é toda voltada para outro pesquisador ler. Até por que, somente o seleto grupo de pesquisadores renomados 64 publicam nas tais revistas de alto impacto, as quais são fechadas a grande parte da sociedade. Há exceções? Sim, é fato que há. Poucas, mas tem. Do que adianta ter uma vasta lista de publicações científicas se o setor produtivo desconhece a impor- tância dos achados científicos de determinado pesqui- sador. No caso da produção de organismos aquáticos, se a Peixe BR ou a ABCC ou a Peixe SP nunca ou- viram falar ou desconhecem as efetivas contribuições que um pesquisador renomado no meio acadêmico tem deixado ao setor, algo de errado tem. Ou será que estas entidades não têm condições de julgar quais são as reais demandas do setor produtivo? “-Ah, mas é que eu faço pesquisa de base.” Ou então a clássica frase: “-A sociedade não valoriza, não reconhece a importância da pesquisa científica.” Des-