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Eduardo Gomes Sanches Instituto de Pesca / APTA Ubatuba, SP esanches@pesca.sp.gov.br Aquicultura ornamental U m novo ano pede novos desafios. Pensando nisto resolvi mudar o foco de minha coluna para uma área da aquicultura ainda pouco divulgada, mas com um enorme potencial de inovação. Esta nova coluna está relacionada profundamente ao meu início na aquicultura. Ainda quando criança mantinha mais de setenta aquários no quarto onde tentava dormir em meio a bombinhas de ar e muita água no chão. Foi onde despertei para a magia de reproduzir peixes e aprender sobre as diferentes espécies e téc- nicas de cultivo. Até nos dias atuais, desenvolvo a cria- ção de peixes e invertebrados ornamentais no quintal de casa, mantendo a paixão que me trouxe até meu exercício profissional. Nada mais justo do que uma reverência às origens. Nasce a coluna “Aquicultura Ornamental” na Aquaculture Brasil. Por que escrever sobre isto? Você sabia, caro leitor, que o aquarismo é o segundo maior hobby do mundo, movimentando entre 15 a 20 bilhões de dólares por ano? Sabia que o Brasil ocupa a 13º posição entre as nações envolvidas na exportação de peixes ornamen- tais? Sabia que existem feiras internacionais (Aquara- ma, Interzoo) somente para este segmento da cadeia produtiva da aquicultura? Que centenas de milhares de pessoas vivem deste segmento produtivo, que gera emprego e renda a pequenas propriedades rurais ali- jadas do monocultivo das commodities (soja, milho...). A aquicultura ornamental também tem muita his- tória!!! Os egípcios foram os primeiros a colocar pei- xes em grandes tanques, passando horas a observar o comportamento desses animais. Marco Pólo, no século XIII, relatou que os chineses também tinham esse hábito de criar peixes em tanques de vidro. A observação de peixes em cativeiro passou a ser co- mum na Europa Ocidental apenas no século XVI, ainda que realizada com técnicas rudimentares. Em 1846, a bióloga marinha britânica Anna Thynne rea- lizou o feito inédito de manter por três anos corais e algas dentro de um aquário. Em 1850, na Inglaterra, Robert Harrington publicou no diário Chemical So- 66 ciety, de Londres suas descobertas que explicavam como manter peixes em recipientes com água (!!!) e em 1868, M. Simon, cônsul da França em Ning- po, trouxe da China para Paris alguns peixes-do- -paraíso Macropodus opercularis, oferecendo-os a Pierre Corbonnier, que conseguiu a reprodução da espécie em cativeiro. Entretanto, somente no sé- culo XX, com o advento da energia elétrica, é que o aquarismo começou realmente a se desenvolver. Mas o que mudou na aquicultura ornamental no século 21? Durante anos um aquário em casa era si- nônimo de uma bola de vidro com um peixe dourado dentro, fazendo o possível para sobreviver a contí- nuas mudanças de água e a uma dieta de migalhas de pão. Atualmente, a realidade é outra, passando o aquário a ser entendido como uma forma de recriar um espaço da natureza dentro de casa, com finalida- des educativas, recreativas e de preservação, onde se busca reproduzir, o mais fielmente possível, o habi- tat de origem da espécie criada. O aquarismo passa a ocupar espaço no cinema, sendo indiscutível o su- cesso do filme “Nemo”, ampliando a visibilidade da manutenção de peixes em aquários. Atualmente, os maiores mercados internacionais de peixes ornamentais são o Japão, a Europa (prin- cipalmente a Alemanha e a Holanda) e os Estados Unidos. Nos Estados Unidos, uma em cada três resi- dências possui aquário. No Japão, de cada duas resi- dências, uma tem aquário. Com estas referências dá para imaginar o imenso potencial do comércio inter- nacional de peixes ornamentais. Segundo informações do International Trade Cen- tre de 2016, Singapura fatura por ano U$ 44.205 mil em exportação de peixes ornamentais – o pe- queno país asiático ocupa a liderança no ranking. Em contrapartida, o Brasil ocupa apenas o 13º lu- gar, com U$ 6.570 mil em exportações (o que não é nada mal considerando a quase ausência de polí- ticas públicas para este segmento produtivo). Por aqui estima-se que existam cerca de cinco mil lojas