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Santiago Benites de Pádua Biovet Vaxxinova Vargem Grande Paulista, SP santiago.padua@biovet.com.br Girodactilíase em larvas e alevinos de tilápias girodactilíase é uma doença parasitária ocasio- a infecção oportunista por bactérias que naturalmente A nada por vermes monogenéticos microscópicos habitam a pele dos animais, na qual, o bastonete Gram- pertencentes ao gênero Gyrodactylus. No Brasil, a ocor- -negativo Flavobacterium columnare frequentemente rência de Gyrodactylus cichlidarum tem sido observada entre as principais causas de problemas sanitários duran- te a larvicultura e alevinagem da tilápia do Nilo, infes- tando também peixes maiores, no entanto, as principais lesões causadas nos animais são observadas na fase inicial de criação. Este agente é um ectoparasito, responsável por causar infestação a pele dos animais, especialmente nadadeiras e corpo, sendo ocasionalmente observados nas brânquias. Além disso, possui ciclo de vida direto (não necessita de hospedeiros intermediários), sendo vivíparos, conseguindo se reproduzir sobre os próprios animais infestados. As lesões ocasionadas nos peixes são devido à dila- ceração do tegumento devido ao mecanismo de fixação utilizado pelo parasito, o qual utiliza ganchos e ancoras para penetrar a pele do animal e causar as injúrias sobre os peixes. A partir destas lesões, também se favorece Figura 1. Estruturas de fixação do Gyrodactylus cichlidarum, um monogênea de larvas e alevinos de tilápia do Nilo. Foto cordial- mente cedida pela Dra Thais Heloisa Vaz Farias. 60 pode ser diagnosticado em situações de casos severos de girodactilíase tegumentar. Entre as estratégias para controle e profilaxia desta enfermidade nas fazendas berçário, a limpeza e desin- fecção de ovos deve ser a primeira estratégia utilizada, uma vez que estes parasitos são transmitidos para a pro- le, principalmente, durante o processo de incubação de ovos na boca das matrizes. Este procedimento deve ser realizado a partir da limpeza dos ovos fecundados em solução salina (2,5%), com posterior reidratação em água e seguinte desinfecção com uso de cloramina-T, ajustando a dose e o tempo de exposição de acordo com o pH da água. Para casos de girodactilíase em larvas ou alevinos, o uso da cloramina-T pode ser compro- metido caso os peixes sejam criados em viveiros esca- vados, ou em ambiente que tenha presença de matéria orgânica em suspensão, uma vez que ocorre perda de sua efetividade. Nestes casos, o uso do organofosfora- do Triclorfon (Metrifonato) é a terapia de eleição, sendo efetiva contra vermes monogenéticos. Para rotina de incubação de ovos de tilápia nas fazen- das-berçário, o uso da prática de desinfecção de ovos deve ser adotado como protocolo padrão. Esta estratégia é a forma de profilaxia mais efetiva contra doenças que possam ser veiculadas pelas matrizes durante o processo de incubação natural de ovos, que incluem também pro- tozoozes como a tricodiníase e quilodonelose, além de eliminar bactérias contaminantes que diminuem a taxa de eclosão dos ovos embrionados durante o processo de incubação artificial. Já o uso de medicamentos antipa- rasitários, como o organofosforado Triclorfon, deve ser realizado somente a partir da confirmação de casos da doença detectada no plantel. É importante ressaltar que este fármaco possui ação limitada contra protozoários parasitos (p. ex. Trichodina e Chilodonella sp.), além de não ter efeito algum sobre bactérias contaminantes.