Revista Aquaculture Ed 16 16-ed-revista-ab-aquaculture-brasil-issu | Page 60
Santiago Benites de Pádua
Biovet Vaxxinova
Vargem Grande Paulista, SP
santiago.padua@biovet.com.br
Girodactilíase em larvas e alevinos de
tilápias
girodactilíase é uma doença parasitária ocasio- a infecção oportunista por bactérias que naturalmente
A
nada por vermes monogenéticos microscópicos habitam a pele dos animais, na qual, o bastonete Gram-
pertencentes ao gênero Gyrodactylus. No Brasil, a ocor- -negativo Flavobacterium columnare frequentemente
rência de Gyrodactylus cichlidarum tem sido observada
entre as principais causas de problemas sanitários duran-
te a larvicultura e alevinagem da tilápia do Nilo, infes-
tando também peixes maiores, no entanto, as principais
lesões causadas nos animais são observadas na fase inicial
de criação. Este agente é um ectoparasito, responsável
por causar infestação a pele dos animais, especialmente
nadadeiras e corpo, sendo ocasionalmente observados
nas brânquias. Além disso, possui ciclo de vida direto
(não necessita de hospedeiros intermediários), sendo
vivíparos, conseguindo se reproduzir sobre os próprios
animais infestados.
As lesões ocasionadas nos peixes são devido à dila-
ceração do tegumento devido ao mecanismo de fixação
utilizado pelo parasito, o qual utiliza ganchos e ancoras
para penetrar a pele do animal e causar as injúrias sobre
os peixes. A partir destas lesões, também se favorece
Figura 1. Estruturas de fixação do Gyrodactylus cichlidarum, um
monogênea de larvas e alevinos de tilápia do Nilo. Foto cordial-
mente cedida pela Dra Thais Heloisa Vaz Farias.
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pode ser diagnosticado em situações de casos severos
de girodactilíase tegumentar.
Entre as estratégias para controle e profilaxia desta
enfermidade nas fazendas berçário, a limpeza e desin-
fecção de ovos deve ser a primeira estratégia utilizada,
uma vez que estes parasitos são transmitidos para a pro-
le, principalmente, durante o processo de incubação de
ovos na boca das matrizes. Este procedimento deve ser
realizado a partir da limpeza dos ovos fecundados em
solução salina (2,5%), com posterior reidratação em
água e seguinte desinfecção com uso de cloramina-T,
ajustando a dose e o tempo de exposição de acordo
com o pH da água. Para casos de girodactilíase em larvas
ou alevinos, o uso da cloramina-T pode ser compro-
metido caso os peixes sejam criados em viveiros esca-
vados, ou em ambiente que tenha presença de matéria
orgânica em suspensão, uma vez que ocorre perda de
sua efetividade. Nestes casos, o uso do organofosfora-
do Triclorfon (Metrifonato) é a terapia de eleição, sendo
efetiva contra vermes monogenéticos.
Para rotina de incubação de ovos de tilápia nas fazen-
das-berçário, o uso da prática de desinfecção de ovos
deve ser adotado como protocolo padrão. Esta estratégia
é a forma de profilaxia mais efetiva contra doenças que
possam ser veiculadas pelas matrizes durante o processo
de incubação natural de ovos, que incluem também pro-
tozoozes como a tricodiníase e quilodonelose, além de
eliminar bactérias contaminantes que diminuem a taxa
de eclosão dos ovos embrionados durante o processo
de incubação artificial. Já o uso de medicamentos antipa-
rasitários, como o organofosforado Triclorfon, deve ser
realizado somente a partir da confirmação de casos da
doença detectada no plantel. É importante ressaltar que
este fármaco possui ação limitada contra protozoários
parasitos (p. ex. Trichodina e Chilodonella sp.), além de
não ter efeito algum sobre bactérias contaminantes.