Revista Aquaculture Ed 16 16-ed-revista-ab-aquaculture-brasil-issu | Page 58
Maurício Gustavo Coelho Emerenciano
CSIRO - Austrália
Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC
mauricioemerenciano@hotmail.com
*As opiniões citadas abaixo são exclusivamente pessoais do autor e não necessariamente remetem as opiniões das
instituições vinculadas ao mesmo.
Dragão chinês: o que esperar da carcini-
cultura do maior gigante mundial?
“N
i hao” aos leitores da Aquaculture Brasil! Hoje
o assunto é China, a meca da Aquicultu-
ra mundial. A coluna Green Technologies desta edição
aborda como tema uma reflexão sobre os desafios e
perspectivas da carcinicultura chinesa. Uma indústria que
na última década sofreu (e ainda sofre) com o efeito de
diversas doenças, e viu suas cifras de produção serem
afetadas nas estatísticas globais. Em recente visita ao país
para proferir palestra e visitar algumas fazendas e hatche-
ries (Laboratórios comerciais produtores de pós-larvas)
pude dialogar com técnicos, pesquisadores e ver de per-
to esse cenário. As doenças como a EMS em 2011, EHP
e, mais recentemente, uma síndrome relacionada ao
crescimento e desuniformidade dos lotes, foram e têm
sido grandes obstáculos para impulsionar a indústria e as
exportações. Por falar nesta última, a China devido aos
problemas acima mencionados, de grande exportador,
transformou-se em grande importador do crustáceo.
Mas o dragão quer mudar este cenário. Aos poucos,
a carcinicultura chinesa vem buscando algumas alternati-
vas, como tecnificar e diversificar sua indústria. Algumas
apostas se concentram em : (I) intensificação dos cultivos
e implementação de técnicas, tais como revestimento
dos viveiros, uso de diversos biorremediadores e demais
insumos; (II) busca por reprodutores livres de doenças e
de qualidade superior; e (III) diversificação de espécies.
Em relação ao tópico I, acho válido esse caminho
desde que o dia a dia das fazendas seja intimamente
acompanhado de práticas de biossegurança, incluindo
cuidados na captação, tratamento e reuso de água. In-
felizmente isso ainda esta longe de ser uma realidade na
carcinicultura chinesa. Em relação ao tópico II, a aposta
é igualmente válida, mas desde que as fazendas também
façam a sua parte (o que não vem acontecendo). Já em
relação ao último ponto, a diversificação pode ser uma
opção em locais com acesso a água com altas salinida-
des, visando atender às exigências ambientais de espé-
cies, tais como o Penaeus monodon (camarão tigre) ou o
Marsupenaeus japonicus (camarão japonês). Este último
pode custar até três vezes mais que o camarão branco
Litopenaeus vannamei, espécie cujo preço vem caindo
relativamente nos últimos meses, principalmente devido
Figura 1. Fazendas intensivas no sul da China operando com constantes trocas de água.© Maurício G. C. Emerenciano
58