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Genética
Rodolfo Luis Petersen
Laboratório de Melhoramento Genético de Organismos Aquáticos - GECEMar
Universidade Federal do Paraná - UFPR
Pontal do Paraná, PR
rodolfopetersen@hotmail.com
Definição da estratégia de melhoramento:
Seleção ou cruzamento?
Parte I: Entendendo a transferência de informações genéticas
U
ma vez reunidas as populações base, definida
a caraterística a melhorar, para qual sistema e
região de cultivo, devemos definir qual será a estraté-
gia de melhoramento. E aqui devemos nos adentrar
em princípios da genética que não são muito simples
de explicar, nem muito fáceis de entender.
Como já vimos, o FENÓTIPO está composto
pela combinação da composição genética e do efeito
do ambiente de cultivo. Decompondo isto, pode-
mos assumir que a VARIABILIDADE FENOTÍPICA é
igual a somatória da VARIABILIDADE GENÉTICA e
a VARIABILIDADE AMBIENTAL. A variância genética
tem duas componentes que afetam simultaneamente
o fenótipo: os efeitos aditivos e os efeitos de domi-
nância dos alelos. Quando falamos de ALELOS, nos
referimos a alternativas observadas nos genes com
relação a informação que ele carrega para a produ-
ção de uma determinada proteína. Cada gene possui
dois alelos (alternativas informacionais) em um indi-
víduo, porém numa população, cada gene pode ter
vários alelos. Uma caraterística quantitativa como as
que costumamos escolher para o melhoramento,
por exemplo, crescimento ou resistência a determi-
nada doença, é definida por um número elevado de
genes atuando sobre a mesma. A combinação dos
efeitos aditivos e de dominância das centenas de ge-
nes que podem atuar numa caraterística quantitativa,
em conjunto com o ambiente, definem o fenótipo
do animal.
A variabilidade genética de uma população esta-
rá definida pelo número de alelos de cada gene e
suas frequências. Em cada geração de reprodução,
os gametas carregam um único alelo do par de alelos
que cada indivíduo possui, de cada gene. Quando no
momento da fertilização os gametas se encontram,
e os alelos se juntam novamente para conformar o
genótipo do gene de um indivíduo (combinação de
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alelos nos cromossomos homólogos), acontece uma
reconfiguração da variabilidade genética da popula-
ção filial (descendentes). Neste contexto, a variância
genética total é a combinação dos efeitos aditivos e
os efeitos de dominância dos alelos. O efeito aditivo
é a somatória do efeito dos alelos individualmente,
que contribuem para a caraterística de interesse. Já
o efeito de dominância depende de como os alelos
que contribuem para a característica se combinam no
genótipo, no momento da fertilização. O valor dos
efeitos vai mudando ao longo das gerações.
O efeito individual de cada alelo é repassado de
geração em geração por efeito da SELEÇÃO. Sele-
cionando os indivíduos estamos selecionando ale-
los e aumentando sua frequência na população. Já
o efeito da combinação de alelos se desmancha em
cada geração, pois para cada estação de reprodução
existirá a formação de uma nova população de game-
tas. Os alelos que estavam combinados na geração
parental se separam no processo de formação dos
óvulos e espermatozoides, mais precisamente na di-
visão meiótica que acontece na formação das células
sexuais. Desta forma, após a cópula, acontecerá uma
nova combinação de alelos na geração filial. O efeito
dessa nova combinação, onde pode existir uma in-
teração entre alelos dentro de um mesmo gene, é
chamada de variância de dominância. A variância ge-
nética aditiva é a variância herdável, já que é o efeito
dos alelos individuais que são transferidos em função
de que, como já foi explicado, a combinação de ale-
los no genótipo é aleatória no momento da reprodu-
ção, e que novas combinações são obtidas em cada
estação de reprodução da população trabalhada.
Numa determinada população base, ou numa
determinada geração de seleção, a variação genética
terá as duas componentes, a quantidade de variação
em função da ação aditiva dos genes, como também