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NUTRIÇÃO AQUÍCOLA Artur Nishioka Rombenso CSIRO – Austrália IPEMAR – Brasil artur.rombenso@csiro.au *As opiniões citadas abaixo são exclusivamente pessoais do autor e não necessariamente remetem as opiniões das instituições vinculadas ao mesmo. E m fevereiro desse ano fui convidado para dar uma palestra no evento F3 (Fish free feeds) em São Fran- cisco, Estados Unidos, organizado pelo Antrophocene Institute, órgão filantrópico que tem como um dos seus objetivos a preservação dos oceanos. O evento F3 tem como intuito incentivar o uso de dietas livres de farinha e óleo de peixe na aquacultura através de inovação, reco- nhecimento, prestígio e premiação. Esse último evento focou na problemática da substituição do óleo de peixe e contou com a presença de todos os membros da cadeia aquícola (academia, empresas de ração, empresas de ingredientes, investi- dores, produtores e mídia). Dife- rente de congressos tradicionais o evento F3 é uma espécie de caça talentos para solucionar o proble- ma em questão, e nesse caso a competição consistiu no desenvol- vimento de produtos inovadores com as características específicas: forma líquida ou em pó; não con- ter ou ser derivado de qualquer animal marinho como peixe, lula e camarão; não conter subproduto aquícola e obrigatoriedade em conter os ní- veis em porcentagem de lipídios totais de ácido araqui- dônico – ARA-20:4n-6 de 0,2, de ácido eicosapentae- nóico – EPA-20:5n-3 de 8,4, de ácido docosaexaenóico – DHA-22:6n-3 de 4,9, e uma razão de ácidos graxos n-3/n-6 de 12, como óleo de peixe substituto. Nesse contexto, o evento apresentou seções de ideias (Brains- torm sessions), painéis de discussão envolvendo inves- tidores, empresas de biotecnologia, pesquisadores em nutrição, as maiores empresas de ração, além da mídia e, por fim, os participantes da competição apresentaram seus produtos para o público. O ganhador será anuncia- do nos próximos meses e para mais informações sobre a iniciativa F3 acessar a página (https://f3meeting.com). Fiquei fascinado ao testemunhar como a forte ten- dência de usar alimentos livres de farinha e óleo de pei- xe na aquacultura, liderada por protecionistas dos ocea- nos, está influenciando e de alguma forma guiando as futuras direções das indústrias de alimentos aquícolas. Embora a farinha e o óleo de peixe estejam incluídos nas dietas, a princípio para garantir a viabilidade econô- mica, as empresas de alimentos aquícolas estão tendo que se adaptar a essa nova abordagem, que também é controversa. Como os diretores de sustentabilidade das principais empresas globais de alimentos aquícolas (Biomar, Cargill, Nutreco, Min Phu, entre outras) destacaram no even- to, o significado de sustentabilida- de é tão amplo e o setor aquícola ainda não possui sua própria de- finição. Então, eu gostaria de ter- minar esta coluna com algumas reflexões. Quais são os benefícios dos alimentos aquícolas livres de farinha e óleo de peixe? Qual é o contexto de sustentabilidade mais adequado na aquacultura e na in- dústria de alimentos aquícolas? O uso de farinha e óleo de peixe de- rivados de subprodutos da aquacultura é sustentável? Se a aquacultura parar de usar farinha de peixe e óleo de peixe, o que acontecerá com o excedente desses in- gredientes? Existe uma real demanda para esse tipo de alimento aquícola? Em caso afirmativo, as empresas de ração realmente produzirão um alimento mais caro para atender essa demanda? Já existe conhecimento suficien- te em termos nutricionais para substituir por completo a farinha e o óleo de peixe na aquacultura durante todo o ciclo de produção? Qual sua opinião a respeito? Espero que o conteúdo dessa coluna tenha sido novo e também tenha despertado o seu interesse nes- se assunto bastante atual e de certa forma controverso. Independente da sua preferência ou ponto de vista, um fato empolgante é que estamos vivendo essa tendência. Assim, podemos assistir passivamente o que está por vir ou podemos agir e fazer parte desse processo. 55 2019 Iniciativa F3 (Fish free feeds)