Revista Aquaculture Ed 16 16-ed-revista-ab-aquaculture-brasil-issu | Page 54

André Camargo Sócio Fundador da Escama Forte Botucatu, SP andre@escamaforte.com.br O “novo” assusta T udo aquilo que é desconhecido causa para nós uma restrição imediata, praticamente todos os vertebrados assumem uma postura de medo ou receio quando estão frente a algo que ainda não experimentaram. Particularmente em relação à sociedade humana isso também acontece e a frequência com que precisamos lidar com isso é cada vez maior. Os tempos modernos onde a velocidade das interações humanas é cada vez maior é que comanda este processo. Imediatamente alguns poderiam dizer: e o que isso tem a ver com aquicultura? Talvez dentro das ativida- des agropecuárias a aquicultura seja a que possui o maior desafio de enfrentar sem medo aquilo que está por vir. Agora sim podemos dizer que nascemos e so- mos uma atividade representativa para o país e a ser para o mundo todo. Isso traz algo novo a todos os tomadores de decisão e guarda muito sucesso àqueles que sempre acreditaram na atividade e mesmo sem saber perfeitamente o caminho sabem exatamente onde querem chegar. O ganho de importância frente ao cenário mundial e as posturas tomadas por nosso país neste momen- to definem os desafios a serem por nós encarados. A aquicultura brasileira não é mais a coitadinha tratada por muitos no passado como alguém que precisa de ajuda para sobreviver, diferente de sua irmã, pesca, não somos um problema social e para a certeza de todos somos a grande referência para o abastecimento de pescado da sociedade contemporânea para os pró- ximos 20 anos. Não podemos mais temer o engajamento do se- tor produtivo com a pesquisa pública brasileira, pois o setor quer e precisa se abastecer e bancar a geração de informações úteis ao seu desenvolvimento. Não podemos mais ficar reféns de compradores dos mais longínquos lugares do mundo, pois nós temos cada vez mais aquilo que a sociedade precisa, pescado de 54 qualidade. Não podemos mais deixar que o desco- nhecimento de outros setores da sociedade brasileira impeça o desenvolvimento sustentável desta atividade. Nós somos responsáveis pelo que fazemos e assumi- mos 100% deste universo. Finalmente a aquicultura brasileira encontra-se neste momento alicerçada pelo setor produtivo e as principais tomadas de decisão relativas a ela são toma- das por seus representantes políticos. Devemos para- benizar aqui os representantes do setor público que durante anos carregaram nossa atividade aos trancos e barrancos sem que a sociedade os referendasse ou va- lorizasse. Devemos também reorganizar a participação deste tão importante setor público nas relações com a produção, pois na sociedade moderna não existe mais espaço para a ineficiência. Todo o recurso utilizado por um representante público para a sociedade que o paga, deverá ser justificado por viabilidade e não mais por uma chancela. Desta forma devemos todos estar cientes de que o novo está batendo à porta, chegou a hora de nos unificarmos, meu vizinho não é mais meu concorren- te e sim meu aliado. Se quisermos realmente assumir este posto que o mundo espera, temos que organizar nossas ações e planejar muito bem aquilo que está por vir em todos os elos da cadeia produtiva. Os cases de sucesso ao longo do mundo na produção aquícola de- vem ser usados como exemplo, porém somos nós a assumir o manche deste crescimento que deve acon- tecer de forma muito acentuada a partir de agora. Devemos nos planejar o máximo possível para aquilo que ainda não vivemos, mas jamais precisamos ter medo deste novo momento que vamos enfren- tar. Nós estamos prontos e seremos os protagonistas da transição que nos trará saudade do tempo em que quebrávamos pedras. Bem-vindos ao futuro e ao Brasil como um dos maiores produtores de pescado do mundo.