Revista Aquaculture Ed 16 16-ed-revista-ab-aquaculture-brasil-issu | Page 46

avaliada em 52 comunidades com diferentes formas de ingestão de sal (INTERSALT Cooperative Group, 1988; Elliott, 1989). Quatro comunidades estudadas tiveram baixa ingestão de sal (≤ 3 g / dia) e as demais apresen- taram ingestão de 6-12 g / dia de sal. O estudo mostrou que houve uma relação positiva entre a ingestão de sal e a pressão arterial. Houve também uma relação positi- va e altamente significativa entre o aumento da pressão arterial com a idade e a ingestão de sal (WHO, 2006). Com bases nesses estudos, a ingestão adequada do Na+ para adultos é estimada em ~1500 mg. Ruusunen et al. (2003) comentam que devido ao papel do sódio no desenvolvimento da hipertensão em indivíduos sensíveis ao sódio, as autoridades regulado- ras e de saúde pública recomendaram uma redução na ingestão de cloreto de sódio. No entanto, algumas opi- niões contraditórias sobre o efeito do sódio também foram apresentadas. Segundo a World Heath Organization (WHO, 2006), o consumo diário recomendado de sódio deve ser inferior a 2000 mg de sódio. As quantidades do Na + podem ser convertidas em NaCl, usando o fator “2,5”; consequentemente a quantidade diária necessária do Na + é equivalente a 3,75 a 5,00 g de sal de cozinha por dia. Várias agências nacionais e internacionais reco- mendam ingestões individuais de sódio na dieta de ≤ 100 mmol (6 g de sal) por dia e, em alguns casos, ≤ 65 mmol (4 g de sal) por dia. As consultas com especialistas da OMS e da OMS/FAO recomendaram que a média da população para o consumo de sal seja <5 g / dia. Na maioria dos países europeus, há uma grande va- riedade de recomendações quantitativas e/ou qualitati- vas sobre a ingestão de sal. Por exemplo, na Holanda (recomendação é <9 g NaCl/dia), e em Portugal (<5g NaCl/dia). Na Grécia e na Hungria, apenas as recomen- dações dietéticas gerais estão disponíveis (por exemplo, “evite sal e alimentos ricos em sal”). Na Ásia, foram encontradas recomendações nutricionais para quatro países e variaram de <5 g/dia (Cingapura) para <10 g/ dia (Japão). A Austrália e Nova Zelândia compartilham o valor de <6 g/dia. Na América do Norte, a ingestão no Canadá e EUA é <6 g/dia, e ainda nos EUA existe uma recomendação específica (<4 g/dia) para grupos especiais. Na América do Sul, alguns países desenvolve- ram conselhos gerais (“reduzir a ingestão de sal”, “mo- deração na ingestão de sal”) e o Brasil é o único país com uma recomendação nutricional (<5 g/dia de sal). Sarno et al. (2013) também declararam em seu es- tudo sobre a estimativa de consumo de sódio pela po- pulação brasileira, que o consumo de sódio se apresen- ta acima de 2,3 g/dia na maioria das populações adultas de diversos países (Brown et al., 2009), enquanto o 46 limite máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de 2 g/dia (WHO, 2006). Atualmente, em especial nos países industrializados, a ingestão excessiva do Na (agravada pelo excesso de Cl), e não a deficiên- cia, desempenha importante papel como causa e no tratamento da hipertensão. Em pessoas com sensibi- lidade hereditária ao cloreto de sódio, a sua ingestão excessiva causa hipertensão. Como em geral não se sabe quem é “sensível ao sal”, é desejável como me- dida preventiva, uma ampla diminuição da ingestão de NaCl (< 6g/dia). Segundo a RDC nº 24, de 15 de junho de 2010 (Brasil, 2010), um alimento com quantidade elevada de sódio é aquele que possui em sua composição uma quantidade igual ou superior a 400 mg de sódio por 100g ou 100 ml na forma como está exposto à venda. Além disso, os estabelecimentos que comercializam os produtos que contém tais nutrientes deverão adaptar seus anúncios com os dizeres que facilitem a orientação do consumidor no momento da aquisição de determi- nado produto. Deve-se ressaltar que a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) ressalta a importância de assegurar a todas e todos o direito humano à alimentação adequada e saudável. E é nesse contexto que vem realizando sua cooperação técnica com as autoridades brasileiras e sociedade civil por meio de desenvolvimento de capacidades, produ- ção e sistematização de evidências e boas práticas em alimentação e nutrição. Conforme os dados da Tabela I, percebe-se cla- ramente grande variabilidade nos teores de sódio em várias espécies, e muitas delas acima do limite de sódio encontrado na IN 21/2017 (134 mg). O processo tecnológico vs. teor de sódio no pescado Baseado nas informações científicas, a indústria do pescado e os consumidores tornaram-se mais cons- cientes da relação entre sódio e hipertensão e, portan- to, em muitos países, a demanda por uma variedade de produtos de pescado com baixo teor de sal aumentou. Um exemplo é o peixe levemente salgado. A defini- ção de produtos salgados, segundo Sik Na (2008), foi esclarecida pelo teor de sal no músculo do peixe. A definição de produtos salgados foi esclarecida pelo teor de sal no músculo: Forte (> 20%), Médio (15-20%) e Leve (10-15%). O estudo desenvolvido por Åsli & Mørkøre (2012) foi o primeiro a demonstrar que a inje- ção de salmoura em combinação do NaCl e NaHCO 3 é um meio rápido e simples de produzir filés de baca-