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Funções tecnológicas do sal no pescado O sal (cloreto de sódio) é amplamente utilizado em várias quantidades durante a preparação e processa- mento do pescado e seu papel pode ser dividido em três objetivos gerais. Em primeiro lugar, ele atua como um agente preservador, inibindo o crescimento micro- biano ou promovendo mudanças indiretas. Em segun- do lugar, ele opera como um modificador de sabor, que além do sabor salgado, melhora os atributos sensoriais do pescado salgado. Em terceiro lugar, desempenha funções específicas e essenciais na produção e proces- samento de vários produtos de pescado. No entanto, deve-se ressaltar que em muitas situações ela cumpre todas as três funções e, em alguns casos, a separação entre elas não é clara (Pedro & Nunes, 2007). Ao adicionar até 6% (p/p) de cloreto de sódio a um tecido muscular, os íons cloreto no sal se ligam aos filamentos de actina e miosina, aumentando as cargas negativas das proteínas e amplificando as forças ele- tro-repulsivas entre os filamentos. Isso leva ao inchaço muscular e mais água é retida no músculo e a capacida- de de retenção de água do músculo é aumentada. De- vido a isso, a salga leve pode ser um bom método para diminuir a perda de água durante o armazenamento. É, portanto, comumente usado antes do congelamento com o objetivo de trabalhar contra os efeitos negativos do congelamento (Lauzon et al., 2010). Novas tecnologias de processamento Os procedimentos de salga têm mudado rapida- mente na última década, e a salmouragem e injeção estão sendo cada vez mais utilizadas. Estes métodos re- sultam em alta retenção de água no músculo do peixe, devido a diferentes efeitos nas proteínas e na microes- trutura do músculo em comparação com o método antigo (Kench) de salga. Além disso, muitos produtores têm acrescentado fosfatos à salmoura no início do pro- cesso de salga, com o objetivo de reduzir o risco de descoloração amarela dos produtos salgados. Os fosfa- tos têm efeitos quelantes sobre os metais que podem estar presentes no sal e, assim, reduzem a oxidação dos lipídios, razão pela cor amarela/escura dos produtos. As recentes mudanças nos procedimentos de salga e nas condições de cura alteraram as características dos pro- dutos salgados no mercado, aumentaram o rendimento do peso e melhoraram a qualidade comercial. 44 O uso do processo de injeção e tambleamento resulta em produtos ligeiramente reidratados, e com melhora na concentração de NaCl (mais homogênea). O aumento do número de pontos de injeção/cm 2 de 2 para 5 reduz o teor de sal após a injeção de 11% para aproximadamente 5%. A tecnologia de injeção de salmoura está gradualmente adquirindo popularida- de devido ao seu potencial de economia de tempo e aos maiores rendimentos de processamento obtidos quando comparada às técnicas convencionais de cura pelo sal. Se o processo tradicional é comparado com os diferentes processos de produção dos filés levemen- te salgados, consistindo de 2 dias de processamento (descongelamento, filetagem, injeção de sal e congela- mento), fica claro que o processo tradicional não pode competir. O tempo de processamento é reduzido para menos de um décimo e o rendimento total do peso é superior ao processo tradicional. Portanto, o produto moderno é vendido por menos da metade do preço do produto tradicional (Pedro & Nunes, 2007). Outras espécies que tradicionalmente se fazem a salga tradicional (salga seca) também estão sendo utili- zadas nos estudos com o uso de injeção de salmoura, obtendo resultados excelentes, principalmente no que se refere ao melhoramento do rendimento do proces- so, diminuição do tempo de salga, e melhoramento da qualidade do produto final. Estudo conduzido por Ariyarathna (2011) mostra que na Islândia, espécies grandes como bacalhau (Gadus morhua), saithe (Polla- chius virens), ling (Molva molva) e tusk (Brosme brosme) são salgados por procedimentos de várias etapas após filetagem ou corte borboleta. Métodos de pré-salga, como injeção de salmoura e/ou salmouragem, são usa- dos antes da salga seca, que envolve empilhamento dos peixes com camadas alternadas de sal por 10-14 dias sob condições refrigeradas (<7°C) para evitar o cres- cimento de bactérias halofílicas. A pré-salga melhora o rendimento e a qualidade do produto final em compa- ração com uma única etapa de salga a seco, que era o procedimento original de salga. Normalmente, após a salga, o peixe é embalado e exportado sem secagem. Quando as agulhas atingem a pele, a salmoura flui continuamente para fora das agulhas para o músculo, enquanto são retraídas através do filé de volta à posição inicial. A pressão da injeção e o número de injeções no peixe podem ser ajustados para uma máquina de inje- ção automática. Normalmente, a concentração de sal aumenta de 0,15% no músculo de bacalhau fresco para 2 a 5% no músculo de peixe injetado com sal. Após este passo, o bacalhau pode ser salgado em salmoura, e/ou curado pelo método Kench.