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Pescado salgado ou levemente salgado: uma preocupação nutricional? Prof. Alex Augusto Gonçalves Erica Lorenna Batista da Silva Centro de Ciências Agrárias (CCA), Departamento de Ciência Animal (DCA) Universidade Federal Rural do Semi Árido (UFERSA) Mossoró, RN, Brasil alaugo@gmail.com O processo de salga do pescado A salga de peixe é um dos processos mais antigos de conservação do pescado, que consiste na remoção da água e incorporação de sal no músculo do pescado, e é regido por fatores como difusão, osmose e uma série de processos químicos e bioquímicos (Nunes & Pedro, 2011). A maioria das bactérias, fungos e outros microrganismos potencialmente patogênicos não po- dem sobreviver em um ambiente altamente salgado, devido à pressão osmótica que o sal cria, e qualquer célula viva em um ambiente com altas concentrações de sal se desidratará por osmose e morrerá ou se tor- nará inativada. Esta extração de água significa uma diminuição da atividade de água (aw), que resulta em uma diminuição da atividade de bactérias e enzimas. Normalmente, a aw no peixe é próximo de 1 e pode ser reduzido para 0,8 e 0,7 após salga forte e secagem. Apenas algumas bactérias halófilas têm a capacidade de crescer em ati- vidades de água até 0,75. Portanto, essas bactérias às vezes causam deterioração em peixes salgados, e es- ses produtos necessitam de refrigeração durante seu armazenamento, ou uma boa escolha na embalagem. Peixes pequenos podem ser salgados inteiros, sem evisceração, mas peixes maiores devem ser eviscera- dos e abertos para permitir que o sal penetre na carne (Sampels, 2015). Existem diferentes tipos de processos de salga: i) Salmouragem: os peixes são colocados numa solução salina durante um período de tempo relativa- mente curto, como um pré-tratamento para outra eta- pa de processamento, como por exemplo defumação; ii) Conserva (Pickling): significa que a matéria- -prima é armazenada durante mais tempo na salmou- ra, como por exemplo o arenque em conserva; iii) Cura Kench: peixes brancos são abertos (cor- te espalmado) e salgados secos, enquanto a salmoura em desenvolvimento produzida é liberada, e os produ- tos resultantes podem ter uma vida útil muito longa; iv) Cura Gaspé: vem de uma região do Canadá e consiste em salga seca por vários dias com o restante do produto na salmoura produzida (semelhante a salga mista), e uma etapa subsequente de secagem ao sol; v) Salga úmida: os peixes são colocados juntos com sal seco em recipientes estanques como barris ou similares adequados e deixados para maturar na sal- moura que vai se formando; vi) Salga mista: combinação da salga seca e pos- terior salga úmida (Sampels, 2015). Os métodos mais utilizados pela indústria ainda são salga seca e salga úmida (salmoura), no entanto, méto- dos mais recentes de salga, como a injeção de salmou- ra ou a combinação desses métodos têm sido usados para produtos de peixe levemente salgados (Aiura et al., 2008; Olivo, 2011; Sampels, 2015) ou ainda a salga à vácuo (Chiralt et al., 2001; Aiura et al., 2008; Nunes & Pedro, 2011), o qual reduz o tempo de salga e au- menta o rendimento do processo. O conteúdo de sal no produto levemente salgado (injetora) final é bem menor, e os produtos não precisam ser reidratados an- tes do consumo, como o bacalhau fortemente salgado (Aiura et al., 2008).