Revista Aquaculture Ed 16 16-ed-revista-ab-aquaculture-brasil-issu | Page 38
descartados em aterros e/ou jogados de volta ao mar,
desperdiçando matéria-prima e causando impactos
ambientais consideráveis. Para se ter uma panorama,
a indústria aquícola nacional gera atualmente mais de
430 mil toneladas de resíduos pós-beneficiamento
(somando a produção da piscicultura continental,
carcinicultura e malacocultura), e muito pouco deste
volume tem destino nobre quanto matéria-prima.
Aproveitamento integral do pescado
Cada vez mais a intensificação da produção exigirá
a modernização técnica e melhoria dos cultivos
para aumentar a eficiência econômica das indústrias
relacionadas à aquicultura. O aproveitamento integral
dos resíduos gerados por essas indústrias surge como
uma alternativa para tornar o setor mais sustentável ao
longo da cadeia produtiva, trazendo melhorias sociais,
econômicas e ambientais. O destino correto dos
resíduos permite que uma receita adicional seja gerada
com a inserção de novos produtos no mercado,
evitando desperdícios e diminuindo o impacto negativo
ao meio ambiente (SEBRAE, 2015). Sabe-se que os
organismos aquáticos são reconhecidos como fonte
importante de moléculas de interesse. Considerando
a diversidade de organismos comerciais, o resíduo já é
tido como uma riquíssima fonte de moléculas bioativas
com capacidade de atender diferentes segmentos
industriais (Bezerra; Freitas-Jr, 2015). Apesar destas
descobertas, do potencial e do volume gerado, ainda
não temos uma indústria nacional de biomoléculas e
se faz necessário investimentos e parcerias que esta
nova indústria aconteça (Figura 1). O Aproveitamento
Integral do Pescado (AIP) é um tema conhecido e,
cada vez mais, uma necessidade.
A enorme potencialidade dos oceanos para
a biotecnologia permanece em grande parte
desconhecida. Mesmo para os organismos conhecidos,
existe um conhecimento insuficiente para permitir
a sua gestão e utilização inteligente (Brasil, 2010).
Atualmente inexiste no país a indústria de biomateriais
e biocompostos em funcionamento, apesar de algumas
iniciativas privadas do setor no passado e investimentos
incipientes atuais. É necessário que se façam maiores
investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e
Inovação Tecnológica para que o potencial do pescado
possa ser aproveitado por completo. Atualmente, as
indústrias aquícolas implantadas e/ou em implantação,
na grande maioria, não contemplam a utilização de
toda a matéria-prima possível do pescado cultivado.
Exaurir as possibilidades de comercialização de tudo
que é produzido fará parte do pensamento do novo
profissional e da indútria de pescado muito em breve.
Seja por questões ambientas e/ou econômicas.
38
Considerando o aproveitamento integral do
pescado, a utilização dos resíduos do beneficiamento
na produção de biomateriais a partir de subprodutos
com o investimento em pesquisa, desenvolvimento e
inovação, a aquicultura se aproxima de temas como a
Biotecnologia (pesquisa e aplicação de biomateriais),
Ecoeficiência (relação economia/ambiente) e
Economia Circular (redução, reutilização, recuperação
e reciclagem de materiais e energia). Desta forma, a
introdução desses temas se faz necessária quando o
assunto é sobre biomateriais e ou moléculas bioativas
a partir dos resíduos do processamento de organismos
aquáticos.
Economia circular como conceito pilar
para a ecoeficiência da aquicultura
A Convenção sobre Diversidade Biológica da
Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992
definiu Biotecnologia como “qualquer aplicação
tecnológica que utilize sistemas biológicos, organismos
vivos ou seus derivados, para fabricar ou modificar
produtos ou processos para utilização específica” (Figura
2). É um conjunto de técnicas de natureza variada
que envolve uma base científica comum, de origem
biológica, e que requer crescentemente o aporte
de conhecimento científico e tecnológico, oriundos
de outros campos do conhecimento (Brasil, 2010).
É sabido que os oceanos atingiram seu rendimento
máximo, que a pesca está estagnada há décadas e
que a produção mundial de pescado para consumo
humano é cada vez mais dependente da aquicultura.
A resposta para os desafios que se colocam frente
ao aumento de produtividade, controle de doenças
e danos ambientais, aplicando tecnologias avançadas
para o cultivo de organismos marinhos, para satisfazer
a necessidade crescente do mundo de alimentos,
medicamentos e materiais do oceano sem a exploração
excessiva e a destruição dos ambientes costeiros está
no desenvolvimento dos avanços em Biotecnologia
(Brasil, 2010).
A Ecoeficiência é definida como a produção de
bens e serviços a preços competitivos que satisfaçam
as necessidades humanas e tragam qualidade de
vida, ao mesmo tempo em que, progressivamente,
são reduzidos os impactos ambientais e o consumo
de recursos naturais em todo o ciclo de vida, em
consonância com a capacidade estimada do planeta
em prover estes recursos e absorver os impactos
(WBCSD, 2000). Segundo Glavic e Lukman (2007),
a ecoeficiência significa produzir mais com menos,
representando uma relação entre a economia e
questões ambientais, sendo esta última, predominante
na relação.