Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017
modos de vida e a valorizar as narrativas capazes de articular
tensões entre o universal e o singular.
A luta feminista se apresenta na luta de mudanças cul-
turais ao longo da história com maior ou menor visibilidade,
e se propõe a realizar o enfrentamento de mudança social e
cultural. De acordo Josette Trat,
As mulheres não cessaram de lutar coletivamente desde a
Revolução Francesa. Ademais, esse movimento se enraíza
nas contradições fundamentais da sociedade, nascidas
tanto do desenvolvimento do capitalismo como da persis-
tência até hoje da dominação masculina, que se exprime
na divisão social e sexual do trabalho. As mulheres se
mobilizaram ora em nome da igualdade, ora em nome de
suas diferenças, sempre contra as “injustiças” de que
eram vítimas, reclamando ao mesmo tempo direito ao tra-
balho, à educação, ao voto e também à “maternidade li-
vre” desde o começo do século XX (2009, p. 152).
Precisamos compreender que fazemos parte da huma-
nidade e as feministas lutam por direitos e não por privilé-
gios. Lutamos por um mundo melhor para homens e mulhe-
res, onde possamos decidir sem uma cultura tradicionalista
ou intervenção religiosa, ainda que a religiosidade faça parte
de nossas vidas e que cada indivíduo possa decidir de acordo
com sua crença ou até mesmo aquele que não crê possa deci-
dir, não podemos aceitar a imposição de um estigma de gê-
nero.
As temáticas feministas candentes fazem parte do viver
de cada sujeito. Desde a gestação à sociedade forja uma iden-
tidade de gênero e reafirma a heterossexualidade como a
normal e única orientação.
Suas identidades sexuais se constituem, pois, através de
formas como vivem sua identidade, com parceiros/as do
mesmo sexo, do sexo oposto, de ambos os sexos ou sem
parceiros/as. Por outro lado, os sujeitos também se identi-
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SMEC 2017