Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 95

Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017 o quanto reproduzimos em nossos discursos e atitudes essas estruturas. A autora exemplifica a dominação considerando o patriarcado como uma máquina bem azeitada que trabalha cotidianamente e nem precisa do patriarca para ser acionada. Por isso, necessitamos conhecer, produzir e analisar os estu- dos feministas nas práticas cotidianas escolares e a formação de professores, para promover um “olhar-se”, voltar para si, se perceber, subjetivar e desnaturalizar os ‘velhos’ modos de lidar com as feminilidades e as masculinidades nos espaços educativos. Nestes espaços educativos, as discriminações sobre es- tereótipos de gênero e sexualidade muitas vezes é notória, outras vezes, é dissimulada em forma de piada, ou mesmo quando não tomamos uma posição a favor da criança, ado- lescente, colega professor/a, funcionário/a que está sofrendo o preconceito, ou mesmo vivendo algum modo de domina- ção e discriminação, ou está sendo reprimida com base em concepções e visões de mundo que procura hegemonia e uma linearidade. Os comportamentos machistas, sexistas, racistas, femistas 29 que antes não eram questionados, por possibilitarem a ordem patriarcal e heteronormativa 30 , eram p ercebidos como normais, contudo, estamos cada vez mais lutando para que essas posições e comportamentos sejam revistas e abandonadas. No momento atual, esse modo de agir vem perdendo espaço, devido a uma incansável luta de mulheres, para ilustrar podemos citar alguns slogans feminis- tas: “Machistas não passarão”, “Não me calo”, “Nem uma a 29 Refere-se a uma ideologia de superioridade da mulher sobre o homem. O fe- mismo e o machismo prega a construção de uma sociedade hierarquizada a partir do gênero sexual. 30 Padrão e regras que determinam qual a orientação sexual é a “certa”, sendo a heterossexual a norma (normal) para a sociedade. Página | 95 SMEC 2017