Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017
o quanto reproduzimos em nossos discursos e atitudes essas
estruturas. A autora exemplifica a dominação considerando o
patriarcado como uma máquina bem azeitada que trabalha
cotidianamente e nem precisa do patriarca para ser acionada.
Por isso, necessitamos conhecer, produzir e analisar os estu-
dos feministas nas práticas cotidianas escolares e a formação
de professores, para promover um “olhar-se”, voltar para si,
se perceber, subjetivar e desnaturalizar os ‘velhos’ modos de
lidar com as feminilidades e as masculinidades nos espaços
educativos.
Nestes espaços educativos, as discriminações sobre es-
tereótipos de gênero e sexualidade muitas vezes é notória,
outras vezes, é dissimulada em forma de piada, ou mesmo
quando não tomamos uma posição a favor da criança, ado-
lescente, colega professor/a, funcionário/a que está sofrendo
o preconceito, ou mesmo vivendo algum modo de domina-
ção e discriminação, ou está sendo reprimida com base em
concepções e visões de mundo que procura hegemonia e
uma linearidade. Os comportamentos machistas, sexistas,
racistas, femistas 29 que antes não eram questionados, por
possibilitarem a ordem patriarcal e heteronormativa 30 , eram
p ercebidos como normais, contudo, estamos cada vez mais
lutando para que essas posições e comportamentos sejam
revistas e abandonadas. No momento atual, esse modo de
agir vem perdendo espaço, devido a uma incansável luta de
mulheres, para ilustrar podemos citar alguns slogans feminis-
tas: “Machistas não passarão”, “Não me calo”, “Nem uma a
29
Refere-se a uma ideologia de superioridade da mulher sobre o homem. O fe-
mismo e o machismo prega a construção de uma sociedade hierarquizada a partir
do gênero sexual.
30
Padrão e regras que determinam qual a orientação sexual é a “certa”, sendo a
heterossexual a norma (normal) para a sociedade.
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SMEC 2017