Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017
mandas, mas também, onde se concentram todas as potencia-
lidades e recursos para uma ação política e pedagógica dife-
renciada.
Pode se apresentar como uma possibilidade técnica,
mas é muito mais, pois no compartilhar os espaços da sala de
aula não ficam subsumidas duas dimensões: a política que se
expressa na solidariedade (contraponto ao solipsismo docen-
te) e social (ação de relacionar/mediar com o outro diferente
de si) capaz de construir outros pensares.
Compreender este modo de trabalho – Docência Com-
partilhada – não só redefinem as relações de trabalho docente
e tornam presentes a interdependência crescente (já sabida)
entre aqueles que estão participando do processo de apren-
dizagem. Entendemos que Docência Compartilhada resgata
o conceito de utopia em sua concepção dialética e na perspec-
tiva de humanização, ou seja, retoma a necessidade dialética
de teoria e prática para que a mudança ocorra.
Portanto, assumimos este processo como construção so-
cial e práxis coletiva capaz de engendrar ações e resultados
aceitáveis para todos os indivíduos e grupos, permitindo
através do coletivo, definir sobre a base de sistemas de repre-
sentação: valores, princípios e práticas que privilegiem o po-
der opinar, decidir e o respeito a todos aqueles que em seus
diferentes lugares (alunos e professores) participam do pro-
cesso de aprender.
Estamos a dizer que a perspectiva da práxis pedagógica
em Docência Compartilhada vai além do compreender o agir
docente como simples democratização dos espaços de traba-
lho; não se trata de um conjunto de procedimento que busca
promover a integração dos sujeitos no processo de aprendi-
zagem, mas de um salto qualitativo e quantitativo na forma
como se tomam as decisões em sala de aula.
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SMEC 2017