Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo
há razões para “descontaminação política e ideológica” por-
que não há pensamento único institucionalizado. A sabedo-
ria popular já ensinou que quando João fala mal de Pedro,
sabemos mais de João do que de Pedro. Os protagonistas do
ESP não conhecem o dia a dia escolar, reduzem a um debate
vergonhosamente simplório um cenário extremamente com-
plexo e variado, multifacetado, em que não há lugar para
determinismos oriundos da guerra fria.
Por outra senda, o conceito que o ESP tem dos estudan-
tes em seus escritos é anacrônico, remontando o século XIX.
Os estudantes não são – na realidade, nunca foram... – mari-
onetes manipuláveis por espertos e ardilosos professores, de
esquerda ou de direita, que assimilam passiva e voluntaria-
mente o que lhes é imposto. Ao contrário, o sujeito da educa-
ção contemporânea está em posição de diálogo, é protagonis-
ta de seu processo formativo. E vejam bem, tais considera-
ções são consensuais no ambiente da pesquisa acadêmica.
Qualquer manual de pedagogia editado no século XXI expli-
ca isso.
Por derradeiro, constato o que muitos colegas já apon-
tam. O ESP é pura e simplesmente um movimento político,
devendo ser enfrentado pelo conjunto dos docentes que hoje
estão desafortunadamente sendo por ele atacados na esfera
do debate político. Jurídica e pedagogicamente, é anacrônico,
inconsistente e, no limite, inconstitucional. Melhor seria que
estes militantes se ocupassem substancialmente com a me-
lhoria da educação brasileira, apoiando, por exemplo, a legí-
tima demanda por uma remuneração justa dos professores,
respeitando-os e, quem sabe, estudando um pouco.