Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 82

Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo há razões para “descontaminação política e ideológica” por- que não há pensamento único institucionalizado. A sabedo- ria popular já ensinou que quando João fala mal de Pedro, sabemos mais de João do que de Pedro. Os protagonistas do ESP não conhecem o dia a dia escolar, reduzem a um debate vergonhosamente simplório um cenário extremamente com- plexo e variado, multifacetado, em que não há lugar para determinismos oriundos da guerra fria. Por outra senda, o conceito que o ESP tem dos estudan- tes em seus escritos é anacrônico, remontando o século XIX. Os estudantes não são – na realidade, nunca foram... – mari- onetes manipuláveis por espertos e ardilosos professores, de esquerda ou de direita, que assimilam passiva e voluntaria- mente o que lhes é imposto. Ao contrário, o sujeito da educa- ção contemporânea está em posição de diálogo, é protagonis- ta de seu processo formativo. E vejam bem, tais considera- ções são consensuais no ambiente da pesquisa acadêmica. Qualquer manual de pedagogia editado no século XXI expli- ca isso. Por derradeiro, constato o que muitos colegas já apon- tam. O ESP é pura e simplesmente um movimento político, devendo ser enfrentado pelo conjunto dos docentes que hoje estão desafortunadamente sendo por ele atacados na esfera do debate político. Jurídica e pedagogicamente, é anacrônico, inconsistente e, no limite, inconstitucional. Melhor seria que estes militantes se ocupassem substancialmente com a me- lhoria da educação brasileira, apoiando, por exemplo, a legí- tima demanda por uma remuneração justa dos professores, respeitando-os e, quem sabe, estudando um pouco.