Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 74

Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo Portanto, no momento em que o professor diz que não é “daquele jeito” significa para o aluno que ele tem em sua memória o modelo perfeito e, o aluno, diante da impossibili- dade de reproduzir aquilo que ele pensa estar no imaginário do professor, e já tido passado pela experiência de morte de sua criação anterior novamente se coloca na beira do precipí- cio e, mais uma vez, o que era para ser prazeroso e de cons- trução de aprendizagem se transforma num estado de angus- tia e desespero, nesse caso, por parte unicamente do aluno, já que o professor se posiciona do outro lado. Isto é, do lado dele próprio e da incapacidade que seu aluno tem para lhe entender. Assim, concluo essa escrita dizendo que, como o pro- cesso artístico criativo, o processo de aprendizagem não deve ser algo estagnado, mas um constante movente que se carac- teriza como um acontecimento expandido entre o equilíbrio e a queda, entre o maravilhoso e o sinistro. Entre o hábito e a reflexão. É um encontro temporal e espacial onde as relações se constituem como produção de desejos e de afetos. Ao con- trário da educação fechada, que é um evento marcado por uma trajetória sistêmica através de encontros disciplinares desenvolvidos de cima para baixo, que, em geral, carrega conceitos fechados onde o acontecimento da construção do conhecimento se dá num conjunto de ações muitas vezes previsíveis com objetivos definidos, a aprendizagem criativa, se dá no ato do encontro, nos afetos e nas incertezas desses. Isto é, se refere ao que era enquanto se move em direção ao que será ou as aprendizagens experimentadas durante os encontros e os devires. Diante disso, encerro esse texto com uma citação de Jorge Larrosa, acerca dos desafios da peda- gogia na contemporaneidade. Os discursos pedagógicos dominantes, divididos entre a arrogância dos cientistas e a boa consciência dos moralis-