Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo
Portanto, no momento em que o professor diz que não é
“daquele jeito” significa para o aluno que ele tem em sua
memória o modelo perfeito e, o aluno, diante da impossibili-
dade de reproduzir aquilo que ele pensa estar no imaginário
do professor, e já tido passado pela experiência de morte de
sua criação anterior novamente se coloca na beira do precipí-
cio e, mais uma vez, o que era para ser prazeroso e de cons-
trução de aprendizagem se transforma num estado de angus-
tia e desespero, nesse caso, por parte unicamente do aluno, já
que o professor se posiciona do outro lado. Isto é, do lado
dele próprio e da incapacidade que seu aluno tem para lhe
entender.
Assim, concluo essa escrita dizendo que, como o pro-
cesso artístico criativo, o processo de aprendizagem não deve
ser algo estagnado, mas um constante movente que se carac-
teriza como um acontecimento expandido entre o equilíbrio e
a queda, entre o maravilhoso e o sinistro. Entre o hábito e a
reflexão. É um encontro temporal e espacial onde as relações
se constituem como produção de desejos e de afetos. Ao con-
trário da educação fechada, que é um evento marcado por
uma trajetória sistêmica através de encontros disciplinares
desenvolvidos de cima para baixo, que, em geral, carrega
conceitos fechados onde o acontecimento da construção do
conhecimento se dá num conjunto de ações muitas vezes
previsíveis com objetivos definidos, a aprendizagem criativa,
se dá no ato do encontro, nos afetos e nas incertezas desses.
Isto é, se refere ao que era enquanto se move em direção ao
que será ou as aprendizagens experimentadas durante os
encontros e os devires. Diante disso, encerro esse texto com
uma citação de Jorge Larrosa, acerca dos desafios da peda-
gogia na contemporaneidade.
Os discursos pedagógicos dominantes, divididos entre a
arrogância dos cientistas e a boa consciência dos moralis-