Reflexões sobre Educação Volume 1 | Seite 73

Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017 construir um território de desenvolvimento cognitivo tam- bém constrói o abismo, a morte e o sinistro diante do aluno e, em grande parte, para com o aluno, pois esse, ao se preparar para uma prova, por exemplo, é como se caminhasse para o precipício, ele tanto pode ficar lá em cima paralisado como pode cair no precipício e galgar um degrau a mais. Isso tem um sinistro enorme. É uma presença de morte muito forte onde o professor é o próprio carrasco. Diante dessa presença ou expectativa, o próprio pavor da morte pode levar o aluno a tomar decisões e estados de- sanimadores e até de boicote do próprio conhecimento, isso quando não desenvolve uma aversão ao professor. O fato de saber que ela, a morte, está ali tão próxima pode atrair o alu- no para um abismo. É muito comum ouvir de alunos: “não vou estudar, já estou rodado mesmo”. Ou, “se não aprendi até agora não vou aprender mais”. Nessas falas, fica clara a entrega desses alunos para essa morte simbólica antes mes- mo de experimentar a sensação e o devir da queda. Outra forma muito comum dessa morte iminente é quando o aluno produz algo a partir de seu entendimento e o professor chama-lhe a atenção de forma negativa dizendo que aquilo “não” está correto e apresenta sua própria forma de resolver o problema. Isso faz com que todas as outras pos- sibilidades de ser que o aluno acreditava se apaguem numa espécie de ausência criativa onde nada mais será reescrito, pois diante da dificuldade de satisfazer o gosto do professor ele novamente se depara com a morte. É imprescindível en- tender que tanto nas artes quanto na educação o movimento criador será sempre um processo inventivo. Será sempre um deslocamento e um movimento na direção do novo, do dife- rente, de uma criação. Página | 73 SMEC 2017