Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 72

Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo
uma professora de religião e como tal quer que seus alunos aprendam religião, mas pela zona de conforto que ela está presa e pelas suas próprias crenças religiosas. Ela não se permite correr riscos diante do desconhecido e da presença do devir sinistro e, assim, reproduz valores morais e paradigmas religiosos sem ao menos dar o direito de seus alunos acreditarem ou não. Ela se impõe como saber e como tal triunfa soberanamente se dando o direito de manipular seus alunos utilizando-se de discursos prontos que são repetidos há vários anos. Nesse lugar não se constroem aprendizados inventivos e prazerosos, mas medos e bloqueios. A professora Diva Gina é o equívoco do profissional que atua na formação da aprendizagem contemporânea.
Diante desses dois exemplos de profissionais, chamo a atenção para a diferença entre os profissionais que se colocam no território escolar como profissionais da educação e profissionais da aprendizagem. O profissional da aprendizagem é aquele que não tem medo de se reinventar, de se colocar diante da ação de educar como se estivesse sempre num processo de criação onde tanto professor quanto aluno são agentes moventes desse processo. Onde a investigação é um método de ação e não um exercício. Onde o resultado de uma prova não seja medidor de conhecimento e aprendizagem. Onde as mudanças, os sinistros, as angustias, os medos do desconhecido não sejam vistos como uma fraqueza, mas como um novo devir a ser vivido e experimentado. Onde tudo esteja em movimento e em desequilíbrio.
Já o profissional que se coloca como agente da educação estática, como a professora Diva Gina, está diretamente relacionado com um processo quantitativo carregado de objetivos fechados. Está sempre ligado ao quanto se aprende e esse quanto é medido por ações que qualificam o aluno. Dessa forma, ao mesmo tempo em que esse professor pretende