Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo
dinhas na porta da sala. Eu abri e, outra vez, era direto-
ra...
Assim, a professora, em sua intervenção espetaculosa,
continua a contar sua história enquanto profissional da
aprendizagem escolar. Ela diz que a diretora lhe entregou
um aluno cego e, que, para desenvolver conhecimento sufici-
ente para inseri-lo a sua turma e, com isso, ter condições de
poder ajuda-lo, precisou fazer uma especialização. E, para
conseguir ajudar na aprendizagem de um novo aluno com
síndrome de Down precisou fazer um mestrado. E, por últi-
mo, para ajudar na construção de aprendizagem de um alu-
no cadeirante, precisou fazer um doutorado.
O que a professora Sharlote chama a atenção não é pa-
ra a sua disposição para com a educação inclusiva, mas para
as convocações que lhe são feitas diante do papel de agente
produtora de aprendizagem e o quanto esse papel lhe exige
movimentos de reinvenção do sujeito agente dessa mesma
aprendizagem. A cada encontro, com um novo aluno e com
uma nova realidade sua condição de agente de aprendiza-
gem lhe colocava diante de uma queda e de um sinistro para
arriscar-se diante de um novo. Isto é, ela estava diante da
morte de uma realidade confortável que lhe empurrava para
um abismo desconhecido onde ela precisava se jogar e se
reinventar se quisesse prosseguir. E, ela se jogava e na medi-
da em que, nesse devir outro diferente, construía um novo,
um aprendizado outro diferente do que já possuía, não só se
transformava como também ajudava a transformar os conhe-
cimentos de seus novos alunos bem como daqueles que já lhe
acompanhavam.
No entanto, num outro contexto, porém, ainda no terri-
tório muito mais de uma educação formal do que de apren-
dizagem inventiva, a professora Diva Gina reforça o lugar de
conforto para reproduzir um modelo educacional que conso-