Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 70

Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo dinhas na porta da sala. Eu abri e, outra vez, era direto- ra... Assim, a professora, em sua intervenção espetaculosa, continua a contar sua história enquanto profissional da aprendizagem escolar. Ela diz que a diretora lhe entregou um aluno cego e, que, para desenvolver conhecimento sufici- ente para inseri-lo a sua turma e, com isso, ter condições de poder ajuda-lo, precisou fazer uma especialização. E, para conseguir ajudar na aprendizagem de um novo aluno com síndrome de Down precisou fazer um mestrado. E, por últi- mo, para ajudar na construção de aprendizagem de um alu- no cadeirante, precisou fazer um doutorado. O que a professora Sharlote chama a atenção não é pa- ra a sua disposição para com a educação inclusiva, mas para as convocações que lhe são feitas diante do papel de agente produtora de aprendizagem e o quanto esse papel lhe exige movimentos de reinvenção do sujeito agente dessa mesma aprendizagem. A cada encontro, com um novo aluno e com uma nova realidade sua condição de agente de aprendiza- gem lhe colocava diante de uma queda e de um sinistro para arriscar-se diante de um novo. Isto é, ela estava diante da morte de uma realidade confortável que lhe empurrava para um abismo desconhecido onde ela precisava se jogar e se reinventar se quisesse prosseguir. E, ela se jogava e na medi- da em que, nesse devir outro diferente, construía um novo, um aprendizado outro diferente do que já possuía, não só se transformava como também ajudava a transformar os conhe- cimentos de seus novos alunos bem como daqueles que já lhe acompanhavam. No entanto, num outro contexto, porém, ainda no terri- tório muito mais de uma educação formal do que de apren- dizagem inventiva, a professora Diva Gina reforça o lugar de conforto para reproduzir um modelo educacional que conso-