Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 69

Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017 professor/aluno, professor/escola, aluno/aluno e alu- no/escola. Procurarei, a seguir, mostrar como a professora Sharlote Iceberg e a professora Diva Gina se posicionam no território de aprendizagem numa relação com os demais pro- fessores, com a escola, com os alunos e com o seu papel de agente da educação. O que nos diriam essas duas professoras? Sharlote Iceberg certamente concordaria com Beckett e nos diria que sim, o hábito, enquanto lugar de repetição sem reflexão e deslocamento, impede a descoberta do novo e que, portanto, é prejudicial para o desenvolvimento da aprendi- zagem inventiva ou criativa e que o professor precisa se de- sapegar de conceitos fechados e criar um movimento em busca do desconhecido. Já a professora Diva Gina diria que o hábito e a repetição de modelos de aulas impressas em carti- lhas e sem uma reflexão mais ampla, pode ser um caminho suficientemente necessário para uma aprendizagem formal e mais pragmática. Veremos a seguir algumas falas dessas du- as professoras: Professora Sharlote Icerberg: (...) a diretora bateu na porta da sala onde eu trabalho, eu abri e percebi que na frente dela estava uma menina. Eu perguntei quem era e a diretora disse: “é tua”. Eu res- pondi: ok. Conduzi a menina até o interior da sala, lhe apresentei os colegas e percebi que ela reagiu de forma in- diferente em relação às manifestações dos colegas. Eu per- cebi, então, que ela era surda. Eu fiquei sem saber o que fazer, pois nunca havia trabalhado com uma pessoa surda. Eu pensei: como vou conseguir trabalhar com uma pessoa surda junto com os meus alunos? Então, eu fiz uma gra- duação em pedagogia, já que tinha feito, apenas, o magis- tério e, dessa forma aprendi a trabalhar com a minha “aluninha” surda junto com a minha “turminha”. Está- vamos todos aprendendo juntos quando ouvi outras bati- Página | 69 SMEC 2017