Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017
professor/aluno, professor/escola, aluno/aluno e alu-
no/escola. Procurarei, a seguir, mostrar como a professora
Sharlote Iceberg e a professora Diva Gina se posicionam no
território de aprendizagem numa relação com os demais pro-
fessores, com a escola, com os alunos e com o seu papel de
agente da educação.
O que nos diriam essas duas professoras?
Sharlote Iceberg certamente concordaria com Beckett e
nos diria que sim, o hábito, enquanto lugar de repetição sem
reflexão e deslocamento, impede a descoberta do novo e que,
portanto, é prejudicial para o desenvolvimento da aprendi-
zagem inventiva ou criativa e que o professor precisa se de-
sapegar de conceitos fechados e criar um movimento em
busca do desconhecido. Já a professora Diva Gina diria que o
hábito e a repetição de modelos de aulas impressas em carti-
lhas e sem uma reflexão mais ampla, pode ser um caminho
suficientemente necessário para uma aprendizagem formal e
mais pragmática. Veremos a seguir algumas falas dessas du-
as professoras:
Professora Sharlote Icerberg:
(...) a diretora bateu na porta da sala onde eu trabalho, eu
abri e percebi que na frente dela estava uma menina. Eu
perguntei quem era e a diretora disse: “é tua”. Eu res-
pondi: ok. Conduzi a menina até o interior da sala, lhe
apresentei os colegas e percebi que ela reagiu de forma in-
diferente em relação às manifestações dos colegas. Eu per-
cebi, então, que ela era surda. Eu fiquei sem saber o que
fazer, pois nunca havia trabalhado com uma pessoa surda.
Eu pensei: como vou conseguir trabalhar com uma pessoa
surda junto com os meus alunos? Então, eu fiz uma gra-
duação em pedagogia, já que tinha feito, apenas, o magis-
tério e, dessa forma aprendi a trabalhar com a minha
“aluninha” surda junto com a minha “turminha”. Está-
vamos todos aprendendo juntos quando ouvi outras bati-
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SMEC 2017