Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017
é organizada por sua consciência num limite extremo de in-
tensidade para evitar qualquer tipo de desastre durante o
processo de transição entre aquilo que é habitual e o novo
que virá. O hábito é uma segunda natureza que nos conserva
em estado de ignorância em relação a um devir outro, o que
pode nos privar de vivenciar tudo de ruim, mas também de
encantador que o novo pode proporcionar. E, ele diz que é
durante o período de abandono do hábito e quando se per-
mite ir de encontro ao novo, percebemos que “encantos de
realidade tem o ar de um paradoxo” Beckett (2003, p. 22).
Podemos entender o que Beckett chame de ruim como sendo
aquilo que Cooper chama de sinistro da queda e o que ele
chama de encantos como o maravilhoso da aprendizagem, as
descobertas e as experiência adquiridas.
Já Virgínia Kastrup (2001) refere-se ao hábito no proces-
so da aprendizagem, referenciando Gilles Deleuze e Félix
Guattari, como uma forma clássica de aprendizagem que
parte de um sistema de imitação e as habilidades que se de-
senvolvem a partir disso. A autora diz que mesclar a arte
com o processo de aprendizagem pode ser um caminho para
uma aprendizagem inventiva. Ela diz, ainda, que é possível
aprender olhando para o cotidiano como habilidade de
aprender imitando o meio onde vive o indivíduo junto de
seus hábitos desde que procurando repensar isso para uma
produção subjetiva. Verifica-se no pensamento de Kastrup a
importância da capacidade de invenção e de problematizar o
ambiente. Para ela, aprender é considerar uma matéria ou
um objeto como se emitissem signos a serem decifrados, é
uma sensibilidade a ser desenvolvida. Apreender marcena-
ria, por exemplo, é ser sensível aos signos da madeira. Isso
significa problematizar a madeira como invenção de apren-
dizagem criativa (KASTRUP, 2001).
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SMEC 2017