Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 67

Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017 é organizada por sua consciência num limite extremo de in- tensidade para evitar qualquer tipo de desastre durante o processo de transição entre aquilo que é habitual e o novo que virá. O hábito é uma segunda natureza que nos conserva em estado de ignorância em relação a um devir outro, o que pode nos privar de vivenciar tudo de ruim, mas também de encantador que o novo pode proporcionar. E, ele diz que é durante o período de abandono do hábito e quando se per- mite ir de encontro ao novo, percebemos que “encantos de realidade tem o ar de um paradoxo” Beckett (2003, p. 22). Podemos entender o que Beckett chame de ruim como sendo aquilo que Cooper chama de sinistro da queda e o que ele chama de encantos como o maravilhoso da aprendizagem, as descobertas e as experiência adquiridas. Já Virgínia Kastrup (2001) refere-se ao hábito no proces- so da aprendizagem, referenciando Gilles Deleuze e Félix Guattari, como uma forma clássica de aprendizagem que parte de um sistema de imitação e as habilidades que se de- senvolvem a partir disso. A autora diz que mesclar a arte com o processo de aprendizagem pode ser um caminho para uma aprendizagem inventiva. Ela diz, ainda, que é possível aprender olhando para o cotidiano como habilidade de aprender imitando o meio onde vive o indivíduo junto de seus hábitos desde que procurando repensar isso para uma produção subjetiva. Verifica-se no pensamento de Kastrup a importância da capacidade de invenção e de problematizar o ambiente. Para ela, aprender é considerar uma matéria ou um objeto como se emitissem signos a serem decifrados, é uma sensibilidade a ser desenvolvida. Apreender marcena- ria, por exemplo, é ser sensível aos signos da madeira. Isso significa problematizar a madeira como invenção de apren- dizagem criativa (KASTRUP, 2001). Página | 67 SMEC 2017