Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 65

Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017 enquanto ser social que fora constituído e habilitado para ministrar aulas, e que, ao preparar um plano de ação educa- cional traça seus objetivos e suas metas, mas que, no entanto, quando se depara com o aqui agora, ato em que se constitui o encontro de aprendizagem com o aluno, esse se vê diante de uma realidade para a qual não foi preparado. Nesse momen- to, tanto professor quanto aluno, se percebem diante de uma queda, ou de diversas quedas, promovendo angustias e frus- trações que são vistas e sentidas por ambas as partes como algo negativo. Nesse caso, tanto a queda (obstáculo encon- trado), quanto a memória (arquivo da aprendizagem acadê- mica), requerem mudanças repentinas e, às vezes, bem radi- cais na orientação e no caminho e ser seguido. “As quedas nos derrubam e as memórias inundam nossa consciência”, (COOPER, 2013). O que a autora está chamando a atenção é para o fato de que é durante a queda que devemos encontrar outras sensações e experimentar outras emoções que resul- tem em um novo processo de criação e aprendizagem. Du- rante a queda os nossos corpos se agitam, perdemos o con- trole e tentamos encontrar uma forma de cair que não nos machuque. Assim, ao contrário do que pensamos, a queda não é algo negativo, mas um processo de se permitir atraves- sar as zonas entre o conforto e o sinistro e, assim, se permitir sentir a ausência de uma base sólida e firme num devir outro diferente, “maravilhoso”. Por outro lado, as memórias inundam nossa consciência para acelerar nossa respiração e nos causar perturbações físi- cas, emocionais e mentais. Diante disso, segundo Cooper, as memórias nos forçam a buscar saídas no já conhecido, no já habituado e sem nos dar por conta buscamos apoio em ve- lhos hábitos. Isso é, no lugar comum, zona de conforto, já que esse nos tranquiliza e nos dá certeza de estar fazendo a coisa certa. Assim, a memória está permanentemente numa relação Página | 65 SMEC 2017