Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017
enquanto ser social que fora constituído e habilitado para
ministrar aulas, e que, ao preparar um plano de ação educa-
cional traça seus objetivos e suas metas, mas que, no entanto,
quando se depara com o aqui agora, ato em que se constitui o
encontro de aprendizagem com o aluno, esse se vê diante de
uma realidade para a qual não foi preparado. Nesse momen-
to, tanto professor quanto aluno, se percebem diante de uma
queda, ou de diversas quedas, promovendo angustias e frus-
trações que são vistas e sentidas por ambas as partes como
algo negativo. Nesse caso, tanto a queda (obstáculo encon-
trado), quanto a memória (arquivo da aprendizagem acadê-
mica), requerem mudanças repentinas e, às vezes, bem radi-
cais na orientação e no caminho e ser seguido. “As quedas
nos derrubam e as memórias inundam nossa consciência”,
(COOPER, 2013). O que a autora está chamando a atenção é
para o fato de que é durante a queda que devemos encontrar
outras sensações e experimentar outras emoções que resul-
tem em um novo processo de criação e aprendizagem. Du-
rante a queda os nossos corpos se agitam, perdemos o con-
trole e tentamos encontrar uma forma de cair que não nos
machuque. Assim, ao contrário do que pensamos, a queda
não é algo negativo, mas um processo de se permitir atraves-
sar as zonas entre o conforto e o sinistro e, assim, se permitir
sentir a ausência de uma base sólida e firme num devir outro
diferente, “maravilhoso”.
Por outro lado, as memórias inundam nossa consciência
para acelerar nossa respiração e nos causar perturbações físi-
cas, emocionais e mentais. Diante disso, segundo Cooper, as
memórias nos forçam a buscar saídas no já conhecido, no já
habituado e sem nos dar por conta buscamos apoio em ve-
lhos hábitos. Isso é, no lugar comum, zona de conforto, já que
esse nos tranquiliza e nos dá certeza de estar fazendo a coisa
certa. Assim, a memória está permanentemente numa relação
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SMEC 2017