Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo
estão impregnados de valores morais atribuindo categorias
diversas enquadrando-as num olhar binário de positividade
e negatividade: o bem-educado e o mal-educado, por exem-
plo. Essas relações são estabelecidas através de papéis e luga-
res, de julgamentos e de aprovações que pretendem, mais do
que estimular a aprendizagem, quantificar o comportamento
e as aparentes capacidades cognitivas do aluno. Isso, reforça
o imaginário de que o bem-educado habita um lugar de posi-
tividade e de méritos enquanto que o outro carrega valores
negativos e até excludentes. Diante disso, pensar o território
de aprendizagem como lugar de educação pode, em alguma
instância, criar uma zona de conflitos. O aluno, hoje, por
exemplo, quando frequenta um território de aprendizagem,
ao contrário do que acontecia até a revolução das novas tec-
nologias, já sabe muito, já se desenvolveu em muitas habili-
dades e não aceita mais ser tratado como um indivíduo a ser
educado, mas alguém com quem se pode compartilhar pro-
cessos de criação e, com isso, ampliar os campos de saberes
criativos, dos mais simples aos mais complexos. Pablo Hel-
guera, em sua “Transpedagogia”, vai dizer que o campo da
educação tem um infortúnio, talvez merecido, de ser repre-
sentado nas tendências atuais como sendo restritivo, contro-
lador e homogeneizador (HELGUEIRA, 2006). Portanto, para
que possamos seguir adiante nessa reflexão, julgo importante
refletir acerca de como a memória atua nesses encontros de
afeto e de aprendizagem de forma a prejudicar e ou auxiliar
no desenvolvimento cognitivo e criativo do aluno.
Segundo Ann Cooper, a memória sempre evoca dupla
realidade, de tal forma que o passado (lá), e o futuro (de-
pois), são sentidos no aqui agora. Segundo o pensamento de
Cooper podemos dizer que o professor, de posse de suas
memorias e seus arquivos pessoais, se mantem preso a um
determinado conceito enquanto profissional da educação e