Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 64

Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo estão impregnados de valores morais atribuindo categorias diversas enquadrando-as num olhar binário de positividade e negatividade: o bem-educado e o mal-educado, por exem- plo. Essas relações são estabelecidas através de papéis e luga- res, de julgamentos e de aprovações que pretendem, mais do que estimular a aprendizagem, quantificar o comportamento e as aparentes capacidades cognitivas do aluno. Isso, reforça o imaginário de que o bem-educado habita um lugar de posi- tividade e de méritos enquanto que o outro carrega valores negativos e até excludentes. Diante disso, pensar o território de aprendizagem como lugar de educação pode, em alguma instância, criar uma zona de conflitos. O aluno, hoje, por exemplo, quando frequenta um território de aprendizagem, ao contrário do que acontecia até a revolução das novas tec- nologias, já sabe muito, já se desenvolveu em muitas habili- dades e não aceita mais ser tratado como um indivíduo a ser educado, mas alguém com quem se pode compartilhar pro- cessos de criação e, com isso, ampliar os campos de saberes criativos, dos mais simples aos mais complexos. Pablo Hel- guera, em sua “Transpedagogia”, vai dizer que o campo da educação tem um infortúnio, talvez merecido, de ser repre- sentado nas tendências atuais como sendo restritivo, contro- lador e homogeneizador (HELGUEIRA, 2006). Portanto, para que possamos seguir adiante nessa reflexão, julgo importante refletir acerca de como a memória atua nesses encontros de afeto e de aprendizagem de forma a prejudicar e ou auxiliar no desenvolvimento cognitivo e criativo do aluno. Segundo Ann Cooper, a memória sempre evoca dupla realidade, de tal forma que o passado (lá), e o futuro (de- pois), são sentidos no aqui agora. Segundo o pensamento de Cooper podemos dizer que o professor, de posse de suas memorias e seus arquivos pessoais, se mantem preso a um determinado conceito enquanto profissional da educação e