Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 48

Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo pado do que em todo o processo de sofrimento da vítima. Durante essa busca de responsáveis e culpados a vítima (o menor) revive com intensidade os sentimentos de ansiedade, angústia, medo, raiva, vergonha da época em que sofria o abuso (revitimização). (Trindade, 2004). Lembrando que, no caso da agressão intrafamiliar, o acusado é alguém da família ou próximo da vítima, quando esta criança consegue externar o que vivenciou, frequente- mente passa a experimentar um sentimento de culpa, pois sai da condição de vítima e passa à condição de culpada pelos fatos ocorridos com ela. Muitas vezes, a solução paliativa dada é a retirada da criança de seu ambiente familiar en- quanto o agressor continua usufruindo desse ambiente. (Araújo, 2002). Esse afastamento pode dificultar a recupera- ção do vitimizado, pois ele poderá ir para abrigos onde não terá o vínculo afetivo familiar. O Promotor da Infância e da Juventude Sr. Leonardo Barrios relatou que, em conversa com essas crianças e adolescentes, algumas vezes ouviu a manifestação e o desejo das mesmas em permanecerem em suas casas, mesmo que em convívio com o abusador, pois, dependendo do caso, cria-se um vínculo afetivo entre eles. Afastá-los desse convívio pode gerar uma nova sobrecarga emocional. É necessário que se faça uma reflexão sobre a assis- tência dada as crianças e adolescentes durante o processo da busca dos culpados e após os menores terem sofrido violên- cia e abuso sexual. O abuso sexual infantil é um problema que envolve segundo Araújo (2002), duas facetas: a busca e punição do culpado, e as questões legais envolvendo a prote- ção à criança e seu tratamento psicológico para que ela con- siga administrar o trauma vivido.