Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo
pado do que em todo o processo de sofrimento da vítima.
Durante essa busca de responsáveis e culpados a vítima (o
menor) revive com intensidade os sentimentos de ansiedade,
angústia, medo, raiva, vergonha da época em que sofria o
abuso (revitimização). (Trindade, 2004).
Lembrando que, no caso da agressão intrafamiliar, o
acusado é alguém da família ou próximo da vítima, quando
esta criança consegue externar o que vivenciou, frequente-
mente passa a experimentar um sentimento de culpa, pois sai
da condição de vítima e passa à condição de culpada pelos
fatos ocorridos com ela. Muitas vezes, a solução paliativa
dada é a retirada da criança de seu ambiente familiar en-
quanto o agressor continua usufruindo desse ambiente.
(Araújo, 2002). Esse afastamento pode dificultar a recupera-
ção do vitimizado, pois ele poderá ir para abrigos onde não
terá o vínculo afetivo familiar. O Promotor da Infância e da
Juventude Sr. Leonardo Barrios relatou que, em conversa
com essas crianças e adolescentes, algumas vezes ouviu a
manifestação e o desejo das mesmas em permanecerem em
suas casas, mesmo que em convívio com o abusador, pois,
dependendo do caso, cria-se um vínculo afetivo entre eles.
Afastá-los desse convívio pode gerar uma nova sobrecarga
emocional.
É necessário que se faça uma reflexão sobre a assis-
tência dada as crianças e adolescentes durante o processo da
busca dos culpados e após os menores terem sofrido violên-
cia e abuso sexual. O abuso sexual infantil é um problema
que envolve segundo Araújo (2002), duas facetas: a busca e
punição do culpado, e as questões legais envolvendo a prote-
ção à criança e seu tratamento psicológico para que ela con-
siga administrar o trauma vivido.