Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 47

Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017 Nesta relação vemos a criança sendo coisificada, usada apenas como meio para que o adulto consiga seus propósitos, como um objeto. Ela não é considerada como fim em si própria, como pessoa. O que nos reporta ao filósofo deontologista prussiano, Imanuel Kant, que em sua obra fa- mosa obra Fundamentação da Metafísica dos Costumes, no sécu- lo XVIII, já chamava a atenção para o respeito que se deve ter com o ser humano: “Os seres racionais são chamados de pessoas porque a sua natureza os diferencia como fins em si mesmos, quer dizer, como algo que não pode ser usado somente como meio e, portanto, limita nesse sentido todo capricho e é um objeto de respeito”. Relembrando os considerados princípios canônicos da ética ocidental (autonomia, beneficência, não maleficência e justiça), proposto por Beauchamp & Childress em 1979 po- demos afirmar que estes são feridos quando ocorre a violên- cia sexual em crianças e adolescentes. Corroborando com Morales & Schramm (2007) pode-se afirmar que os princípios hipocráticos de beneficência e não- maleficência não são respeitados na relação de abuso sexual contra menores não consencientes, pois o prejuízo quer físico, quer moral acontece. O princípio da justiça, concordando ainda com os autores, não tem espaço na relação, pois existe uma situação assimétrica de poder do adulto para com o me- nor. E o respeito à autonomia não existe já que a criança, também em função da assimetria constitutiva da relação adulto/ menor, não pode ou não sabe exercê-la. O menor agredido torna-se duplamente vulnerável. Se denúncias são feitas, esse menor pode tornar-se vítima não apenas do adulto agressor, mas também do sistema que bus- cará averiguar a veracidade das denúncias. Na legislação atual observa-se uma preocupação maior na punição do cul- Página | 47 SMEC 2017