Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 37

Reflexões sobre Educação – N º 01 – 2017
uma face somente, está imerso em contradições que o impedem de definir-se exclusivamente a partir de um único marcador. A heterogeneidade de relações dentro das quais uma pessoa vive torna sua identidade multifacetada, pois ela agrega ao longo da vida os traços e as categorias dos grupos aos quais quis pertencer e aos quais foi forçado a pertencer. Por conseguinte, não há, segundo Stuart Hall( 2005), identidades unívocas e universais.
Desse modo, cada indivíduo constitui-se subjetivamente sob influência de variados marcadores sociais da diferença, havendo uma intersecionalidade( PISCITELLI, 2008), uma articulação entre essas categorias( raça, nacionalidade, etnia, religião, classe social, etc.) que influem sobre o processo de subjetivação. A multiplicidade de relações sociais em que um ser humano está imiscuído produz laços de solidariedade que se formam de maneiras e intensidades distintas com as demais pessoas, conforme identificações, desidentificações e contradições internas, que afastam e aproximam.
Os quesitos sexualidade e classe social surgiram no decorrer da conversa, entretanto, devido à situação de o único aluno negro da turma ter ocupado a última posição no jogo( logo, era a pessoa com menos privilégios naquele grupo), estando bastante atrás até mesmo do penúltimo colocado, questões acerca das relações raciais preponderaram. Veio à tona, então, o conceito de“ branquitude”, elemento impregnado na estrutura social brasileira, caracterizada por variadas formas de racismo.
A branquitude é, dentro de sociedades em que predomina a identidade da pessoa branca como padrão, o“ lugar de privilégios simbólicos, subjetivos, objetivos, isto é, materiais palpáveis que colaboram para construção social e reprodução do preconceito racial”( CARDOSO, 2010, p. 611). Os privilégios brancos podem ser obtidos por não-brancos, colocando-os mais pró-
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