Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 36

Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo O jogo possui 17 perguntas em sua versão em língua portuguesa, o que possibilita sua aplicação em um período de aula. Os jogadores e as jogadoras posicionaram-se no meio da sala de aula, enfileirados lateralmente, para que ti- vesse início a atividade. Consoante a pergunta, o (a) partici- pante dava um passo para trás, ou para frente, por exemplo: “Se já ouviu piadas por conta da cor da sua pele ou tipo de cabelo, dê um passo para trás”, ou “Se você pode manifestar carinho e afeto pelo seu par romântico em público sem medo de represália, ridicularização ou violência, dê um passo para frente”. Perguntas finalizadas, os (as) alunos (as) foram con- vidados (as) a observar a disposição de seus (suas) colegas no “tabuleiro-sala de aula”. Enfim, uma conversa sobre as sen- sações e reflexões provocadas pelo jogo se instaurou, com o objetivo de tratar desse assunto deveras complexo: privilégio. Um jogo, uma turma e muitas diferenças Na turma de primeiro ano do ensino médio na qual foi realizada a atividade predominava pessoas brancas, apenas um dos alunos se identificava como negro. Entretanto, isso não significava uma uniformidade, porque os marcadores sociais da diferença vão além das relações raciais, abrangen- do variadas classificações produzidas socialmente, que ge- ram privilégios, ou desvantagens sociais. Marcadores sociais da diferença são sistemas de classifi- cação que organizam a experiência ao identificar certos indivíduos com determinadas categorias sociais [...] Cada uma dessas categorias de classificação está associada a uma determinada posição social, possui uma história e atribui certas características em comum aos indivíduos nela agrupados ” (ZAMBONI, 2014, p. 13-14). Todavia o indivíduo, cuja identidade é fragmentada (HALL, 2005), ou seja, não é um monólito homogêneo de