Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo
O jogo possui 17 perguntas em sua versão em língua
portuguesa, o que possibilita sua aplicação em um período
de aula. Os jogadores e as jogadoras posicionaram-se no
meio da sala de aula, enfileirados lateralmente, para que ti-
vesse início a atividade. Consoante a pergunta, o (a) partici-
pante dava um passo para trás, ou para frente, por exemplo:
“Se já ouviu piadas por conta da cor da sua pele ou tipo de
cabelo, dê um passo para trás”, ou “Se você pode manifestar
carinho e afeto pelo seu par romântico em público sem medo
de represália, ridicularização ou violência, dê um passo para
frente”. Perguntas finalizadas, os (as) alunos (as) foram con-
vidados (as) a observar a disposição de seus (suas) colegas no
“tabuleiro-sala de aula”. Enfim, uma conversa sobre as sen-
sações e reflexões provocadas pelo jogo se instaurou, com o
objetivo de tratar desse assunto deveras complexo: privilégio.
Um jogo, uma turma e muitas diferenças
Na turma de primeiro ano do ensino médio na qual foi
realizada a atividade predominava pessoas brancas, apenas
um dos alunos se identificava como negro. Entretanto, isso
não significava uma uniformidade, porque os marcadores
sociais da diferença vão além das relações raciais, abrangen-
do variadas classificações produzidas socialmente, que ge-
ram privilégios, ou desvantagens sociais.
Marcadores sociais da diferença são sistemas de classifi-
cação que organizam a experiência ao identificar certos
indivíduos com determinadas categorias sociais [...] Cada
uma dessas categorias de classificação está associada a
uma determinada posição social, possui uma história e
atribui certas características em comum aos indivíduos
nela agrupados ” (ZAMBONI, 2014, p. 13-14).
Todavia o indivíduo, cuja identidade é fragmentada
(HALL, 2005), ou seja, não é um monólito homogêneo de