Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017
imensa quantidade de intertextos que provêm de suas leitu-
ras. Um clássico, dependendo da abordagem da discussão,
pode tornar-se atual, representando situações do nosso coti-
diano. A cada nova leitura, mesmo que seja uma releitura,
são outras nuances que se deixam revelar. O livro é o mesmo,
mas o leitor não. Por essa razão, as obras clássicas têm de
serem lidas na escola, ofertadas durante as aulas, esse será o
momento do leitor descobri-las, para que, posteriormente, ele
consiga decidir sobre as suas histórias favoritas, os gêneros
que mais atraem a sua atenção.
Com isso, os clássicos literários, ao contrário do que
muitos pensam, abrem possibilidades, devem ser lidos tam-
bém para proporcionar a emancipação do leitor. Não há
obrigação das grandes obras em ser “a leitura de cabeceira”
dos estudantes, o indispensável é que contribuam para essa
tão discutida formação do leitor.
Assim, buscando mais uma vez em Ricardo Piglia, o
apoio para pensarmos, não no ideal de um leitor literário,
mas no nosso leitor dentro do ambiente escolar, como aquele
“leitor perante o infinito e a proliferação. Não o leitor que lê um
livro, mas o leitor perdido numa rede de signos” (2006, p.27), um
navegante em alto mar. Contudo, a Literatura em meio ao
imensurável, ainda poderá ser o cais tranquilo, um porto se-
guro para que a imaginação seja atracada e continuemos a
percorrer terras distantes.
Para finalizarmos, a escola precisa estimular ações que
visem à formação de leitores, porque ler é um processo de
autoconhecimento e de discussões sobre o mundo, o leitor
ideal que as instituições de ensino devem almejar formar
perpassa:
[...] aquele sujeito que não foge dos livros. E para não fu-
gir é preciso ter experimentado, de preferência na escola,
todos os gêneros de leitura, dos mais simples aos mais
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SMEC 2017