Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 29

Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017 imensa quantidade de intertextos que provêm de suas leitu- ras. Um clássico, dependendo da abordagem da discussão, pode tornar-se atual, representando situações do nosso coti- diano. A cada nova leitura, mesmo que seja uma releitura, são outras nuances que se deixam revelar. O livro é o mesmo, mas o leitor não. Por essa razão, as obras clássicas têm de serem lidas na escola, ofertadas durante as aulas, esse será o momento do leitor descobri-las, para que, posteriormente, ele consiga decidir sobre as suas histórias favoritas, os gêneros que mais atraem a sua atenção. Com isso, os clássicos literários, ao contrário do que muitos pensam, abrem possibilidades, devem ser lidos tam- bém para proporcionar a emancipação do leitor. Não há obrigação das grandes obras em ser “a leitura de cabeceira” dos estudantes, o indispensável é que contribuam para essa tão discutida formação do leitor. Assim, buscando mais uma vez em Ricardo Piglia, o apoio para pensarmos, não no ideal de um leitor literário, mas no nosso leitor dentro do ambiente escolar, como aquele “leitor perante o infinito e a proliferação. Não o leitor que lê um livro, mas o leitor perdido numa rede de signos” (2006, p.27), um navegante em alto mar. Contudo, a Literatura em meio ao imensurável, ainda poderá ser o cais tranquilo, um porto se- guro para que a imaginação seja atracada e continuemos a percorrer terras distantes. Para finalizarmos, a escola precisa estimular ações que visem à formação de leitores, porque ler é um processo de autoconhecimento e de discussões sobre o mundo, o leitor ideal que as instituições de ensino devem almejar formar perpassa: [...] aquele sujeito que não foge dos livros. E para não fu- gir é preciso ter experimentado, de preferência na escola, todos os gêneros de leitura, dos mais simples aos mais Página | 29 SMEC 2017