Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo
Depois, é claro, vomitam tudo... Como eu já passei dessa
fase, posso me entregar ao prazer de ler livros à maneira
canina. Nenhum cachorro abocanha a comida. Primeiro
ele cheira. Se o nariz não disser “sim”, ele não come
(ALVES, 2011, p.98).
De início, devemos fazer o aluno dizer sim. Para tal
propósito, considerar os interesses dos estudantes por livros,
filmes e música, pode ser uma boa alternativa para o profes-
sor de Língua Portuguesa e Literatura iniciar o seu plano de
trabalho. Ir direto à obra literária pode causar dificuldades,
fazendo com que o aluno perca o interesse pelo que está sen-
do apresentado. Assim, se houver um intertexto mais próxi-
mo da realidade da turma, facilitará chegar ao texto e, conse-
quentemente, a sua leitura.
Um ponto delicado que não se tem como fugir é o tra-
balho com as obras clássicas, eleitas pelo cânone literário, e
que estão em todos os períodos literários. Por isso, a medida
facilitadora, descrita no parágrafo anterior, pode ser uma boa
alternativa. Esses livros são considerados fundamentais para
o estudo da Literatura e da linguagem, uma das razões para
isso, além da perfeição estética, é que as temáticas de seus
enredos permanecem atemporais, servindo como base para
outros escritores e para várias outras histórias que vieram
depois. Para tanto, Ítalo Calvino considera que:
[...] a escola deve fazer com que você conheça bem ou mal
um certo número de clássicos dentre os quais (ou em rela-
ção aos quais) você poderá depois reconhecer os “seus”
clássicos. A escola é obrigada a dar-lhe instrumentos para
efetuar uma opção: mas as escolhas que contam são aque-
las que ocorrem fora e depois de cada escola (1993, p.13).
Os estudantes costumam não gostar muito dos chama-
dos Clássicos, porém, o trabalho das aulas de Literatura, e
também o de Língua Portuguesa não pode se distanciar des-
sas obras pela riqueza de referências que carregam, além da