Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 28

Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo Depois, é claro, vomitam tudo... Como eu já passei dessa fase, posso me entregar ao prazer de ler livros à maneira canina. Nenhum cachorro abocanha a comida. Primeiro ele cheira. Se o nariz não disser “sim”, ele não come (ALVES, 2011, p.98). De início, devemos fazer o aluno dizer sim. Para tal propósito, considerar os interesses dos estudantes por livros, filmes e música, pode ser uma boa alternativa para o profes- sor de Língua Portuguesa e Literatura iniciar o seu plano de trabalho. Ir direto à obra literária pode causar dificuldades, fazendo com que o aluno perca o interesse pelo que está sen- do apresentado. Assim, se houver um intertexto mais próxi- mo da realidade da turma, facilitará chegar ao texto e, conse- quentemente, a sua leitura. Um ponto delicado que não se tem como fugir é o tra- balho com as obras clássicas, eleitas pelo cânone literário, e que estão em todos os períodos literários. Por isso, a medida facilitadora, descrita no parágrafo anterior, pode ser uma boa alternativa. Esses livros são considerados fundamentais para o estudo da Literatura e da linguagem, uma das razões para isso, além da perfeição estética, é que as temáticas de seus enredos permanecem atemporais, servindo como base para outros escritores e para várias outras histórias que vieram depois. Para tanto, Ítalo Calvino considera que: [...] a escola deve fazer com que você conheça bem ou mal um certo número de clássicos dentre os quais (ou em rela- ção aos quais) você poderá depois reconhecer os “seus” clássicos. A escola é obrigada a dar-lhe instrumentos para efetuar uma opção: mas as escolhas que contam são aque- las que ocorrem fora e depois de cada escola (1993, p.13). Os estudantes costumam não gostar muito dos chama- dos Clássicos, porém, o trabalho das aulas de Literatura, e também o de Língua Portuguesa não pode se distanciar des- sas obras pela riqueza de referências que carregam, além da