Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 27

Reflexões sobre Educação – Nº 01 – 2017 Dessa forma, Piglia, propositalmente, nos sugere que quem lê “bem” e quem lê “mal” constituem o leitor, há con- sistência nas duas figuras, incitando que, A pergunta “o que é um leitor?” é, sem sombra de dúvi- da, a pergunta da literatura. Essa pergunta a constitui, não é externa a si mesma, é sua condição de existência. E a resposta a essa pergunta – para benefício de todos nós, leitores imperfeitos, porém reais – é um texto: inquietan- te, singular e sempre diverso (PIGLIA. 2006, p.25). Acrescentamos que essa é uma pergunta da escola tam- bém. Mas não para a construção de um conceito ideal de lei- tor a ser perseguido pelo ensino da Língua Portuguesa e da Literatura. E sim, pelo prazer de se responder ao questiona- mento com a afirmação contundente de que há leitores, e as aulas tem de ser pensadas para todos eles. Simples assim, respeitando as interpretações de cada aluno é que o professor visará ao desenvolvimento de um primeiro leitor, que mansamente trilhará o seu caminho pe- los livros, para que assim, mais tarde, tenhamos leitores tão apaixonados pela Literatura quanto as figuras propostas por Ricardo Piglia em seu ensaio. As aulas não podem exigir um último leitor sem, primeiramente, desejarem colaborar com o primeiro. Para tanto, não há nenhum modelo que oriente o traba- lho com os textos literários em sala de aula. O docente preci- sa estimular o processo de leitura, sem esquecer que a fruição e o prazer são estímulos à aprendizagem. Levar os alunos a ler muito, em sentido de quantidade, não é premissa de qua- lidade na compreensão. Em metáfora simples, mas direta sobre o assunto, Rubem Alves compartilha o seu pensamento sobre a “comilança literária” que a escola não deve praticar: O fato é que muitos estudantes são obrigados a ler à ma- neira suína, mastigando e engolindo o que não desejam. Página | 27 SMEC 2017