Reflexões sobre Educação Volume 1 | Page 26

Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo veria esperar conceber durante o processo do ensino literário. O leitor idealizado no imaginário comum, perpassa pelo per- fil daquele que lê perfeitamente, que não tem dúvidas nem questionamentos, lendo compulsivamente para adquirir todo conhecimento do mundo. Logo, seria esse leitor que a escola, atualmente, deveria desejar formar? Com base no ensaio O último leitor, do escritor argentino Ricardo Piglia, que propõe a reflexão sobre a imagem de um perfeito leitor, percorrendo dentro do mundo literário a si- lhueta das personagens de obras consagradas ávidas pelo ler, chegando até os escritores-leitores, como Jorge Luis Borges, que quase cego, ainda insistia em ler à luz de uma lamparina, somos convidados, desta maneira, a pensar sobre essa figura emblemática do imaginário da Literatura contemporânea. No entanto, dentro de seus escritos, o autor indica uma dualidade na concepção da figura do leitor, que pode corres- ponder às gravuras de total entrega aos livros, como citadas acima ou ainda, significar “aquele que lê mal, distorce, percebe confusamente. Na clínica da arte de ler, nem sempre o que tem me- lhor visão lê melhor” (PIGLIA, 2006, p.19). Assim, captamos a importância da sensibilidade para o ato de ler. A leitura literária não é feita pura e simplesmente da decodificação de signos, poderá partir também de uma des- construção do sentido genérico da obra que, provavelmente, implicará uma visão muito particular do leitor, da capacida- de de promover intertextos, originada da sua bagagem literá- ria ou da falta dela. Com isso, também se constitui como lei- tor aquele que lê pouco, em fragmentos, com dificuldades, todavia, ainda consegue pôr significado à leitura, pois foi receptivo ao que leu, deixou-se ser “atingido” pela arte.