Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Desporto e Turismo
veria esperar conceber durante o processo do ensino literário.
O leitor idealizado no imaginário comum, perpassa pelo per-
fil daquele que lê perfeitamente, que não tem dúvidas nem
questionamentos, lendo compulsivamente para adquirir todo
conhecimento do mundo. Logo, seria esse leitor que a escola,
atualmente, deveria desejar formar?
Com base no ensaio O último leitor, do escritor argentino
Ricardo Piglia, que propõe a reflexão sobre a imagem de um
perfeito leitor, percorrendo dentro do mundo literário a si-
lhueta das personagens de obras consagradas ávidas pelo ler,
chegando até os escritores-leitores, como Jorge Luis Borges,
que quase cego, ainda insistia em ler à luz de uma lamparina,
somos convidados, desta maneira, a pensar sobre essa figura
emblemática do imaginário da Literatura contemporânea.
No entanto, dentro de seus escritos, o autor indica uma
dualidade na concepção da figura do leitor, que pode corres-
ponder às gravuras de total entrega aos livros, como citadas
acima ou ainda, significar “aquele que lê mal, distorce, percebe
confusamente. Na clínica da arte de ler, nem sempre o que tem me-
lhor visão lê melhor” (PIGLIA, 2006, p.19). Assim, captamos a
importância da sensibilidade para o ato de ler.
A leitura literária não é feita pura e simplesmente da
decodificação de signos, poderá partir também de uma des-
construção do sentido genérico da obra que, provavelmente,
implicará uma visão muito particular do leitor, da capacida-
de de promover intertextos, originada da sua bagagem literá-
ria ou da falta dela. Com isso, também se constitui como lei-
tor aquele que lê pouco, em fragmentos, com dificuldades,
todavia, ainda consegue pôr significado à leitura, pois foi
receptivo ao que leu, deixou-se ser “atingido” pela arte.